THE WEST FIORDS - PARTE 1


Que a Islândia é uma ilha, todos sabem, mas existe uma ilha dentro dessa ilha e o nome dela é West Fiords.

Minha primeira ideia quando resolvi fazer uma expedição pela Islândia, era dar uma volta completa na estrada que os islandeses chamam de “ring road”. Os West Fiords não fazem parte dessa estrada. Foi então que conversando com islandeses os West Fiords me chamaram a atenção, assim quebrei a agenda de planejamento que havia feito (isso nunca havia acontecido de maneira tão abrupta) e pra lá fui. Atravessei de ferry boat, pernoitando em uma ilha chamada Flatey, que é uma espécie de viveiro de pássaros.

Entrei nos West Fiords no dia seguinte, tenso, não havia estudado bem a rota, mas mesmo assim continuei para a primeiro vilarejo escolhido, Pingeyri. Foram 4 noites entre Pingeyri, Ísafjördur e Hesteyri que já dariam um livro de viagem. Os West Fiords possuem climatologia complicada. Se na ilha da Islândia os ventos e o tempo são instáveis, no West Fiords essas condições são dobrado.

Quando resolvi deixar os West Fiords, surgiu o maior desafio até o momento de toda expedição: como sair deles. Para voltar para à ilha principal, teria que pedalar 250 km. Talvez você ache pouco, mas é, desde que seja dentro de um carro com ar-condicionado. Nos West Fiords, há poucas vilas, muito vento, chuva e frio, então localizei pequenos povoados ao longo da estrada onde seria possível montar minha barraca, abastecer-me e continuar viagem.

Marquei o dia para sair e nesse dia fui saudado com um lindo dia de sol, parti. Nessa primeira etapa foram 133 km entrando e saindo das baías entre os fiordes, hora com vento contra hora, com vento a favor.

O vento

Quando frequentava o ensino fundamental, meu professor de ciência, Márcio, ensinou-me que o vento é o deslocamento de ar de uma zona de alta pressão atmosférica para outra de baixa pressão.

Eu vou um pouco mais longe do que o Márcio. O ar busca sua felicidade, o lugar em que esteja em paz consigo mesmo, então, na ansiedade de se chegar a esse lugar abençoado, inicia-se a busca desenfreada, o vento. Quanto mais forte, mais pressa, quanto mais brando, o lugar da felicidade está próximo. O vento nada mais é que o ar buscando seu lugar de destaque no mundo.

Já havia enfrentado duramente o vento patagônico em 2019, mas o vento islandês é diferente. Aqui, ele é constante, extremamente gelado e não gosta de muito papo como o patagônico.

Ainda assim, aprendi a conversar com ele, a tentar entendê-lo. Como é difícil compreendermos e aceitarmos o outro, não?

Desse momento em diante, só tinha uma alternativa, a de entender a situação e harmonizar com ela.


Consegui abrigo 133 km depois atrás de um aparador que me pudesse proteger do vendaval. Vi o sol da meia-noite pela primeira vez e dormi em paz!

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