Tailândia


Vim parar em Tailândia, sim, do Pará. Dizem que a outra lá no oriente é muito linda, mas essa aqui não deixa de ser charmosa. Uma cidade com pouco mais de 100.000 habitantes no interior desse imenso Pará.

Demorei 3,5 h para pedalar os 69 km até aqui. Foi tranquilo, uma estrada plana, mas mais movimentada que ontem. Os caminhoneiros são gente boa, entendem a situação ruim da estrada sem acostamento. Dividem a estrada da maneira que podem, ultrapassam longe da bike e buzinam no meu agradecimento. Só quando dois caminhões em sentidos contrários se cruzam, a situação fica difícil. Monitoro pelo espelho a aproximação deles e se vejo que não vai dar, recolho pro mato. Infelizmente é assim, é dessa maneira que escoa o transporte de milhões de reais de óleo de dendê e outros grãos para exportação.

As plantações de palma continuaram por todo o caminho e o número de comércios ao longo da rodovia diminuiu.

Cheguei a Tailândia cedo, eram 10h30, arrumei um canto e chamei meu contato por aqui, que veio através do Rafael e a Maiara lá de Belém. As 11h, o Edson já estava batendo na minha porta perguntando se precisava de algo. Combinamos para nos reencontrar depois do almoço.

Não resisti a cochilada depois de uma carne em uma churrascaria e as 16 h, Édson voltou aqui, só que de moto. Levou-me pra um rolé, conhecer os seus amigos ciclistas e depois para um guaraná da Amazônia na praça central. Tudo simples em Tailândia, mas sabe quando se sente um povo do bem? Não teve quem não se aproximou de mim, bateu uma foto, ou desejou boa viagem. Há sempre um convite para ficar mais um dia, mas como sempre digo, a expedição continua.

Ganhei uma camiseta do evento de MTB que ocorrerá na cidade onde o Edson é um dos organizadores. Conheci o “Canarinho”, dono de uma oficina de motos que também faz parte desse grupo de pedal. Deu-me R$ 20,00; tentei recusar, perguntei o porquê, mas sugeriu indelicadeza, aceitei. “Para você meu filho, pra comer algo durante o caminho”.

Amanhã terei uma pequena escolta até Goianésia, talvez não pelo caminho todo, mas pelo fato dessas gentis pessoas tirarem aquela casquinha da expedição! “Um do eu participei dela”.

Fico feliz que minha expedição une e move as pessoas. Pessoas que não se conheciam por aqui, são amigas por conta desse elo de paixão que o Giraventura cria.

Nunca achei que o povo do Pará fosse tão cordial. O Brasil é muito grande e pessoas como os paraenses são destaque em um país onde a solidariedade do povo é o ponto forte. Apaixonado pelo Pará!

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