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ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE - 14 etapa do projeto giraventura

24 de ago.
5 min de leitura

Da Turquia ao Cáucaso: pedalar pelo coração da história


Em 10 de setembro de 2026, vou iniciar a 14ª etapa do Projeto Giraventura. Serão milhares de quilômetros em bicicleta, atravessando a Turquia em direção ao Cáucaso, em uma jornada de 60 dias pela ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE.



ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE - 14 etapa do projeto giraventura
Rota da Seda de bike a partir de 10 de setembro

Faz parte dessa etapa atravessar uma região que, durante milhares de anos, foi passagem, encontro e disputa entre povos, impérios, religiões e culturas.

Quero pedalar por aquilo que Peter Frankopan chamou de “o coração do mundo”.

E talvez essa seja uma das razões pelas quais a Rota da Seda me atraia tanto.


REFERÊNCIAS LITERÁRIAS PARA A ELABORAÇÃO DA ETAPA


Para tentar compreender a jornada ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE - 14a etapa do projeto giraventura, comecei a estudar a história dos grandes impérios que moldaram essa parte do mundo e um dos livros que estou usando como referência é O Império Otomano, de Alan Palmer, um escritor britânico de história falecido em 2022. Nele, Palmer aborda, entre outros temas, a relação entre autoridade religiosa e secular, as transformações diante do Ocidente, os movimentos populacionais e as disputas que marcaram os últimos séculos do império.


Outro livro que entrou na minha preparação é Os Persas — A era dos grandes reis, de Lloyd Llewellyn-Jones. O autor é professor de História Antiga na Universidade de Cardiff e diretor do Programa do Irã Antigo do Instituto Britânico de Estudos Persas. Seu livro procura reconstruir a história do Império Persa a partir de uma perspectiva mais próxima das fontes e da própria sociedade persa, passando por figuras como Ciro, o Grande, Dario e Xerxes e pelo mundo aquemênida entre os séculos VI e IV a.C. Isso é particularmente importante para esta viagem. Porque, ao atravessar a região em direção ao Cáucaso, não quero enxergar a história apenas pelo olhar dos impérios que chegaram por último. Quero voltar muito mais no tempo e compreender a Pérsia e os povos que vieram antes.


Mas existe uma obra que talvez seja a principal referência intelectual desta viagem:

O Coração do Mundo — Uma nova história universal a partir da Rota da Seda: o encontro do Oriente com o Ocidente, de Peter Frankopan, também professor da UNESCO de Estudos da Rota da Seda no King's College Cambridge. A tese central do livro é provocadora: talvez tenhamos aprendido a contar a história do mundo olhando demais para o Ocidente. Frankopan desloca o centro da narrativa para a Eurásia e para as regiões por onde passaram as antigas rotas da seda. Ali surgiram grandes impérios e religiões universais. Ali aconteceram guerras, conquistas e transformações que ajudaram a moldar o mundo que conhecemos. É uma mudança de perspectiva que me interessa profundamente.

Porque talvez uma das coisas mais interessantes de viajar seja justamente essa:

mudar o lugar de onde olhamos o mundo.


Será uma viagem também pelas religiões


A ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE também foi uma rota de religiosidades. Por esses caminhos circularam e se encontraram diferentes tradições religiosas, entre elas o zoroastrismo, o budismo, o cristianismo e o islamismo. Na Turquia, a presença islâmica é inseparável da história do território otomano, mas a história religiosa da Anatólia é muito mais antiga e diversa.

No Cáucaso, essa diversidade ganha outra dimensão, com a presença histórica de tradições cristãs armênias e georgianas, além do islamismo e de outras comunidades religiosas.

Por isso, uma das coisas que quero observar durante a viagem não são apenas os templos afinal templos são apenas lugares e o que me interessa são pessoas. Quero observar como a religião aparece na vida cotidiana e na maneira como cada sociedade olha para a própria história.


Por que começar em Istambul?


Porque poucas cidades poderiam representar melhor o início desta jornada.

Istambul não é simplesmente o ponto de partida geográfico, mas um um símbolo e uma cidade entre continentes.

Istambul foi capital do Império Bizantino, capital do Império Otomano e continua sendo uma cidade onde diferentes mundos se encontram. Começar a 14a etapa em Istambul é mais ou menos como entrar nessa jornada pela porta da frente. A partir desse portal, a bicicleta será minha maneira de atravessar esse passado que contarei para vocês diariamente.


E onde entra a Jornada do Herói?


Talvez aqui esteja a parte mais pessoal dessa história. O Projeto Giraventura nasceu inspirado na Jornada do Herói, de Joseph Campbell e toda jornada começa com aquilo que Campbell chamou de chamado à aventura (o herói está em seu mundo conhecido, até que algo o chama para fora dele).

É exatamente assim que vejo esta 14ª etapa. Eu poderia continuar viajando por lugares conhecidos ou até escolher uma rota longe das bordas de uma guerra, mas existe alguma coisa nessa região que me chama como a história, a geografia, os impérios, as religiões e principalmente as pessoas.


A pergunta que levo comigo

Toda grande viagem deveria carregar uma pergunta. No Japão em 2024, levei algumas, na conexão do Marrocos com a Amazônia em 2025 outras. Na Rota da Seda, talvez a principal seja:

Como uma região tão disputada, atravessada por tantos povos, impérios e religiões consegue permanecer, durante milhares de anos, no centro da história?

Não sei ainda a resposta, mas talvez seja melhor assim, pois acredito que a cicloviagem não serve para confirmar aquilo que já sabemos. Em setembro, começo a pedalar. Vou levar mapas, livros, a "Guerreira" e alguns equipamentos essenciais, mas mais do que isso: uma enorme quantidade de perguntas.

Essas referência literárias me ajudarão a compreender o que aconteceu antes de mim enquanto a bike me permitirá percorrer o território. Entretanto serão as pessoas que me contarão a parte mais importante da história. Porque, depois de tantos anos viajando, continuo acreditando na mesma coisa: não é sobre lugares. É sobre pessoas.


E talvez, no fim da ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE, eu descubra que a verdadeira Rota da Seda nunca foi feita de seda, mas de encontros entre povos que um dia presenciei.



Leituras que acompanham a preparação:
  • Alan Palmer — O Império Otomano / The Decline and Fall of the Ottoman Empire: uma referência para compreender a formação, transformação e declínio do Império Otomano. A obra original foi publicada em 1992.
  • Lloyd Llewellyn-Jones — Os Persas: A era dos grandes reis: uma porta de entrada para o mundo persa aquemênida e seus grandes reis.
  • Peter Frankopan — O Coração do Mundo: uma releitura da história mundial a partir das redes da Rota da Seda e do papel central da Eurásia. A edição brasileira tem 688 páginas e foi publicada pela Crítica em 2019.
    ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE - 14 etapa do projeto giraventura
    Referências Literárias - ROTA DA SEDA - DA TURQUIA AO CÁUCASO DE BIKE - 14 etapa


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