O amor refletido na travessia de uma praia deserta


Terminei minha jornada do Oiapoque à Barra do Chuí atravessando a Reserva Ecológica do Taim pela BR 471, a fim de alcançar o extremo sul do Brasil em novembro de 2020. Naquela ocasião, seria emblemático fazer a travessia pelas praias do Cassino, Hermena e Barra, mas o bom senso me levou a optar pela estrada.

Terminei a viagem de 6.475 km, sem dúvida com a missão cumprida. Entretanto, algo ficara preso na minha garganta desse aquela ocasião. Talvez por uma questão de brio. Sabe brio? A gente tem que ter, caso contrário qualquer um faz o que quer com você. Voltando à travessia pela praia, sabia das dificuldades reais! Era um jornada difícil, complicada, trabalhosa, desgastante, mas possível. Pensei: se 223 km vão me amedrontar, melhor parar por aqui, né? Fui pra cima, planejei, escutei locais, botei a cara a tapa e aqui estou. Brio!

Incrivelmente, nesse primeiro dia de travessia pela praia, todas as dificuldades que esperava simplesmente não existiram. O maior desafio foi completamente diferente e por sinal, não havia planejado. E qual era? Ter que lidar com o que pensava. Quando se pedala na praia se perde referência de distância, mesmo tendo um odômetro à disposição. Mar de um lado, areia de outro, o tempo todo assim; um filme de uma cena só. Assim, aos poucos, minha cabeça foi ficando um trevo. Passei a pensar em tudo o que me ronda nesse momento presente, mas principalmente no amor que tenho pra dar e receber. Fiquei horas refletindo dessa forma e quando cheguei para o pouso no farol Albardão 6 h depois da minha partida, minha cabeça parecia que ia explodir. Parecia que saíra de uma batalha. Mas afinal, o que tanto pensei? Te conto já: no amor!

Talvez tenha exagerado na dose de reflexão, mas confesso que quando não pensamos nas possibilidades de amar e ser amado a vida fica sem graça. Entregar-se de verdade e sentir o amanhã sem medo é tarefa para poucos. Assim volto à analogia da travessia da praia no dia de hoje: amar é difícil, trabalhoso, complicado, desgastante, mas possível.

Acabei de provar que vale a pena amar! Tá esperando o que?

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