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HISTÓRIA DE SANTIAGO E DO CAMINHO EM SUA HOMENAGEM


A história do Caminho de Santiago tem suas raízes nos tempos do apóstolo Tiago Maior, um dos doze discípulos de Jesus. Nascido em Betsaida, às margens do Lago Tiberíades, Tiago era pescador, assim como seu irmão João, autor de um dos Evangelhos. Chamado por Cristo juntamente com seus irmãos Pedro e André, Tiago testemunhou as palavras e ações de Jesus após a ressurreição.


Após a orientação de Jesus de espalhar suas palavras pelo mundo, Tiago empreendeu uma missão de evangelização na península Ibérica, na Galícia, parte do noroeste da Espanha. Embora não tenha obtido grande sucesso, sua jornada de volta à Palestina após alguns anos foi acidentada, culminando em sua prisão e execução por decapitação em Jerusalém. Seu corpo foi embalsamado e dois de seus discípulos levaram-no de volta a Hispânia, onde foi sepultado em um local chamado Libredón.


Quase oitocentos anos depois, em 830 d.C., o eremita Pelayo afirmou ter testemunhado uma chuva de estrelas no bosque de Libredón, onde Tiago estava enterrado. O Bispo Teodomiro confirmou a descoberta, dando origem a um importante centro de peregrinação cristã: Santiago de Compostela. Compostela quer dizer chuva de estrelas.


Durante os primeiros tempos da peregrinação, o Caminho seguia antigas calçadas romanas ao longo da costa cantábrica, passando por Oviedo. A construção de hospitais, albergues e igrejas facilitou a jornada dos milhares de peregrinos que visitavam o túmulo de Santiago. No ano 1000, a rota pela costa foi gradualmente abandonada em favor de novos itinerários traçados pelos monarcas da região. O Caminho transformou-se em uma rota militar, comercial e de expansão do cristianismo, aproveitando as calçadas romanas que partiam da França.


O século XII marcou a época dourada do Caminho, com a construção da Catedral de Santiago e a proclamação do Ano Santo Compostelano pelo papa Calixto II. O Códex Calixtinus, um guia essencial, foi editado durante esse período.


Após alcançar o auge nos séculos XI, XII e XIII, o Caminho de Santiago entrou em decadência devido a fatores como o surgimento do protestantismo, pestes e guerras. Em 1588, o arcebispo de Santiago escondeu as relíquias de Tiago para protegê-las de piratas, resultando no esquecimento do Caminho por trezentos anos.


Somente em 1878, durante obras na catedral, os restos mortais de Tiago foram redescobertos. Apesar das tentativas do papa Leão XIII em 1884 de revitalizar as peregrinações, o Caminho permaneceu em relativo esquecimento até tempos mais recentes. Essa narrativa fascinante e cheia de reviravoltas contribui para a tradição única e a importância cultural do Caminho de Santiago.


Texto e pesquisa: Nestor Freire

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