Dia #7: Denekamp


Que dureza sair de Deventer, em todos os sentidos. Primeiro, uma despedida doída da Maggie e da Greet. Depois, veio o frio e a chuva.


Difícil montar bike, devo ter comida para uns três dias.


Acabei comprando das minhas professoras de camping um par de meias que não molham para usar na minha sapatilha, que molha. Útil já no dia de hoje. Comprei também um rede elástica que envolve todo os volumes que ficam para fora dos alforjes e sobre o bagageiro.


Maggie escoltou-me nos primeiros cinco quilômetros. Tão logo despedimos-nos, começou cair um temporal. A céu chorava essa despedida mandando uma chuva gelada e doída.


Hoje mesmo já foi usado um dos acessórios indispensáveis nas aventuras: o saco de lixo. Pronto para proteger o guidão e aos mãos do frio.


A chuva durou ate o quilômetro quinze, depois começou a secar. Hora de para para um lanche e acertar de novo as coisas na bike e tentar entender onde está cada equipamento.


Fui pedalando pelo plano terreno da Holanda nas suas lindas ciclovias bem cuidadas. Maggie não queria que pedalasse nas ciclovias das estradas, não por perigo, mas por sossego. Aqui não basta estar contente com as ciclovias espalhadas por todas as estradas, tem que ficar mais feliz com elas espalhadas pelas lindas vilas que passava a cada dez quilômetros. Crianças saindo da escola, todas de bike e sozinhas. Realmente, choca com a nossa realidade.


Foram 77 km até um camping perto da fronteira com a Alemanha, em uma cidade chamada Denekamp.


Tão logo cheguei ao camping, fui recebido pelo seu dono. Havia alguns traileres parados, alguns vazios. O dono recebeu-me muito bem, tinha um pouco de dificuldade com o inglês mas dava para entender. Cobrou-me 13 Euros pelo acampamento, banho e cozinha. Enquanto conversávamos, chegou sua filha com uma linda menina de uns cinco anos. Menina loirinha, simpática e de olhos azuis já falando inglês. Tomamos café todos juntos, conversamos e eu me retirei para acabar de arrumar minhas coisas; realmente é muita coisa. Não se para um segundo.


O lugar é limpo, possui um lindo campo verde, que descansa aos sim dos pássaros. Inspirador! Acho que fico mais sensível; achei um poema lindo de Frida Kahlo, fiquei o decorando sentado de frente ao campo. Nada melhor para o primeiro dia. Longe do agito, da civilização, tudo de bom.


Amanhã, despeço-me definitivamente da Holanda. Lindo país, desenvolvido, pequenino e com a população da Grande São Paulo.


Cloppenburg sera meu próximo destino, mas isso é amanhã. Por hoje, hora de descansar.

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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