Dia #4: Amsterdam - Deventer

A ansiedade era grande para a primeira grande pedalada da viagem. Seriam 114 km ao sul de Amsterdam.


Acordei cedo com um bela de uma ressaca do dia anterior mal dormido, mas disposto a encarar a etapa.


A Maggie e a Greet, minhas amigas holandesas que moram em Deventer, enviaram-me um tracklog até Deventer. A ideia era não pegar estradas secundárias, que apesar de possuirem ciclovias, são movimentadas, barulhentas. A ideia era passar por cidades e pegar as ciclovias das cidades.


Tudo pronto para partir, reza inicial pedindo proteção. A saída de Amsterdam é algo impressionante. Um verdadeiro show de beleza, cultura e arte. Pontes, canais, tudo detalhadamente organizado e construído. As ciclovias são um charme, semáforos para pedestres com dificuldades de audição, diferentemente dos temporizados para ciclistas. A sinalização de mão dos ciclistas são respeitadas antes logo da curva para visualização do motorista. Uma vez no cruzamento, quem chega primeiro passa, com prioridade para a bicicleta se os dois chegarem ao mesmo tempo. Passou, sinal com a mão como agradecimento e segue viagem. É uma sincronia tão grande, mas compreensível. Você vê crianças sozinhas nas ruas já praticando a linguagem do respeito.


Continuei minha viagem passando por uma cidade rodeada por canais, Naarden. Cheguei à cidade e lá acontecia uma feira de rua. Fui abordado por uma senhora tambem de bike. Depois de uma série de perguntas, fez questão que estacionasse a minha bike e a acompanhasse à feira e depois à biblioteca. Yvone, seu nome, comprou-me um pacote de bolachas alemãs de presente, pegou na minha mão e convidou-me a lanchar com ela em sua casa. Agradeci e recusei, não sei antes dar-lhes um chaveiro de lembrança. A alegria tomou conta da velhinha, quando nesse momento começou a juntar gente ao meu lado para perguntar-me sobre o projeto. Fiquei craque em explicá-lo em inglês. Querendo já partir, a velhinha fez questão de me escoltar até o fim da cidade. Fomos pedalando juntos até finalmente nossos caminhos tornarem-se opostos.


Continuei, estava apenas no quilômetro vinte. Entre as dezenas de canais, atravessei um deles de balsa por um euro; um canal de apenas de vinte metros.


Continuei e nesse lindo dia de sol, encontrei e falei com muita gente, uns indo para Berlin, outros treinando.


Passei pelas vilas com os nomes mais estranhos possíveis, quando já perto de Garderen, faltando quarenta quilômetros a Deventer, recebo uma mensagem da minha amiga Margareth perguntando-me minha localização. Cinco quilômetros depois, daria de cara com ela na ciclovia em sentido oposto.


Festa para o reencontro depois da última vez juntos na Patagônia. Seguimos juntos até Deventer, onde sua companheira Greet aguardava-nos ansiosa.


Cumprimentamos-nos, jantamos e assistimos juntos ao filme que elas produziram sobre a viagem delas à Patagônia.


Minha energia estava no fim. Queria um banho e dormir e foi isso que fiz. Caí feito uma pedra na cama e assim fiquei até o amanhecer do outro dia.


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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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