Dia #10: Hamburgo

Atualizado: 12 de Set de 2019


Uma tempestade de madrugada fez-me questionar sobre a partida de hoje. Entrando água pela barraca, fazia o possível para estancá-la mesmo depois de minhas roupas já encharcadas.


Eram oito horas quando a chuva deu uma tregua e ameaçou um sol. Aproveitei para secar tudo, enquanto ia tomar um café com meu mais novo amigo alemão, Wilfried. Ele estava numa van e circula por aí com ela. Mais um que ficou impressionado com o Projeto Giraventura e com a minha disposição em chegar à Nordkapp.


Às 9h30, resolvi partir. Com as coisas já quase prontas, peguei estrada rumo a um camping depois de Hamburgo, esse indicado por Wilfried.


O desafio era enorme, 130 km, mas me sentia disposto. Passei por muitas estradas vicinais e pequenas vilas e fazendas; muitas casas no estilo enxaimel.


O dia começou a aquecer e praticamente vinha alimentando-me o caminho todo para manter o ritmo. Comi de tudo, ovo, croissant com pasta de amendoim, bolacha; tomei isotônico, achocolatado.


Mesmo assim, no quilometro oitenta comecei a sentir um certo cansaço. Notei que Hamburgo chegava quando cheguei próximo a uma usina nuclear Impressionantemente grande.


Atrás de mim, nuvens pretas formavam-se no céu. Comecei a pedalar mais rápido passando por uma zona industrial com muitos caminhões . Até que a chuva apertou de vez e senti a bike meio bamba. O pneu de trás havia furado. Tentei procurar um abrigo, vi um prédio bem simples, afinal estava num subúrbio com muitos imigrantes. Tirei todas as coisas da bike e me pus a consertar o pneu traseiro. Um pedaço de caco de vidro bem pequeno havia atravessado o pneu e cortado a câmara por dentro. Fiz o remendo e continuei. Estafado e depressivo com as más vindas de Hamburgo, entrei numa rua que havia uns hotéis. Perguntei no primeiro, no segundo e consegui uma vaga. Só queria tomar um banho e descansar. Nem desci, nem saí para comer. Estou me adaptando à cidade desse tamanho. Amanhã tem mais, longe daqui.

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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