Adeus Oiapoque



"Iniziare un nuovo cammino spaventa. Ma dopo ogni passo che percorriamo ci rendiamo conto di come era pericoloso rimanere fermi".

"Começar uma nova jornada é assustador, mas depois de cada passo que atravessamos, percebemos o quão perigoso era permanecer firme".


A citação de Roberto Benigne (ator italiano de “A Vida é Bela”, não é por acaso. A cada passo dado nesse projeto, sinto que a zona de conforto é, justamente por si, desconfortável.


Talvez a ambição de atravessar o Brasil do Norte ao Sul seja grande, eu sei. Mas o projeto é cheio de surpresas e isso me encanta. A pandemia da covid mudou os rumos do projeto. Quando soube que minha viagem para a Islândia fora cancelada, não esperneei. Em junho, acreditei que a pandemia diminuiria aos poucos. Estudei rotas pelo Brasil e o livro da neozelandesa Louise Sutherland, como a primeira pessoa a atravessar de bike a rodovia Transamazônica foi meu presságio. Nunca havia pedalado no norte do meu país, assim decidi traçar a rota do Oiapoque ao Chuí. Mas porque essa escolha? Não há muito explicação, mas se tiver alguma é porque queria cortar meu país, passar pelo maior número de estados, ter experiências regionais e terminar em berço esplêndido nas águas da nossa, que é a maior praia do mundo, a Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul.

Sempre tive apoio das pessoas que me acompanham há anos e o esperado desapoio de alguns mais próximos. Mas tive um componente a mais que começou a me motivar: os desconhecidos. Apareceram às pencas, tão logo anunciei a etapa de 2020 do Projeto Giraventura. Vieram da internet, das redes sociais e do arcaico boca a boca. Nesse momento, notei que o projeto cumpria a sua missão, a de influenciar, propor o desenvolvimento de caminhos alternativos, enfim, tirar um pouco as pessoas da caixa que a vida e a pandemia nos colocaram.


Hoje, passei o dia no Oiapoque e as pessoas que me encontravam e tinham a oportunidade de me ouvir, se encantavam. Do guarda federal da ponte binacional, ao garoto de 25 anos, Rodolfo, recepcionista do hotel onde estou. Tudo isso turbinou um dia que usei para descansar e principalmente me concentrar para amanhã.

Agora, gostaria de desejar uma ótima jornada a nós, que embarcaremos nesse bonde juntos às 6h da manhã do dia 9 de setembro de 2020. O objetivo? Viver mais experiências, rirmos, chorarmos juntos e estarmos sempre aqui na alegria e na tristeza.

Aqui fica minha despedida, ao mundo ordinário, à zona de conforto e a tudo que nos tira nada mais, nada menos, do que há de mais precioso nessa vida, a vontade de viver sendo melhor a cada dia.


A todos que estão comigo nesse aprendizado, uma boa noite e uma boa viagem.

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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