EP. #3 - Senigallia / Ostra / San Marcello / Jesi

Atualizado: 13 de Mai de 2019


►Senigallia é linda. A noite anterior foi sensacional porque não só saímos para jantar, mas saímos para pedalar. A essa altura muito papo já tinha rolado entre nós e eu me espanto com o entusiamos desses caras. Eles, mais ainda comigo por encarar pelo menos mais 150 km depois de ter pedalado quase 2.000 km na Via Francigena. Mas deduzo que o espírito de cicloturista deve ser igual em todo mundo, é gente para frente, que se joga no conhecimento de histórias, pessoas e lugares. O Alessandro, Ferdinando e Francesco são um exemplo disso, apenas três amigos que curtem conhecer lugares pedalando, por sinal, tudo que amo fazer também. As conversas deles sobre cicloviagens são incríveis, de pegar esses trens maravilhosos, que por mais que atrasados, são trens; conhecer a Grécia colocando a bike num ferry-boat a partir da Itália e por aí vai. Uma conversa para deixar de boca aberta qualquer amante do cicloturismo pela estrutura de ferrovias, hidrovias e ciclovias que a Europa propor ciona. Voltando a Senegallia, jantamos num "self-service" de frutos do mar por 13,00 com direito a água e vinho "free" e saímos para pedalar depois.

No dia seguinte, deixamos o Mar Adriático para trás com destino a Jesi para pegar o trem de volta a Arezzo. Depois de muitas voltas pela saída, tentando achar a saída correto, achamos um ciclista que não só nos indicou a saída, mas nos acompanhou até a estrada com direção a Ostra.


►Curiosidade - sobre as paisagens na Itália: é impressionante como as paisagens mudam na Itália, hora são "landskapes" com vegetação ativa, típica de Mata Atlântica como foram meus primeiros dias na Toscana. Hora são cerrados, hora é cerrado com o verde ou azul do mar. Essa combinação e diferença entre os lugares dá à Itália um caráter especial de um país diverso.

Para minha tristeza, o aclive era grande, senti minhas pernas pesadas e num determinado momento parei em cima da montanha, olhei bem para a paisagem, depois para mim mesmo e disse: "é hora de parar!". Sim, senti que a cicloviagem tinha chegado ao fim, óbvio, com um grande final com três amigos em lugares fantásticos, mas realmente era o último dia para mim. Tudo tem começo, meio e fim e a minha jornada na Europa tinha terminado e só me faltavam alguns quilômetros e um trem para chegar a Arezzo e desmontar a bicicleta e partir. De repente, veio uma sensação de satisfação misturada com uma sensação de tristeza, muito parecida com a que me ocorreu sobre o Rio Tiber quando cheguei a Roma. Sentia vontade de chorar, talvez porque mais que quisesse, dessa vez minhas forças físicas realmente se esgotaram, meu corpo me pedia somente uma coisa: descanso. Antes, uma última parada para apreciar a vista do belvedere da cidade de San Marcello. Encontramos um casal em frente a um restaurante que não pensou duas vezes em emendar uma conversa sobre as localidades mais interessantes próximas de lá.


Chegamos a cidade de Jesi e pegamos um trem para Arezzo com baldeação em Foligno. Chegamos na estação em Foligno e saímos ao centro, uma vez que o trem para Arezzo partiria somente 1,5 h depois. Conhecemos a cidade,voltamos à estação e fim de viagem. Minha participação na Itália foi de 19 dias, ou seja, a mais longa comparada a outros países que fiquei nessa jornada. Há muito o que conhecer na Itália, fiz novas amizades, adorei o povo italiano e gostaria de retornar um dia. Aqui fica a lembrança de um país não tão organizado como outros países da U.E., mas com povo eloquente e porque não dizer, acolhedor. Ganhei no final um grande presente do Alessandro. Um mapa gigante de todas as Eurovelos europeias. E para a minha alegria, no próximo dia 15 de setembro será o lançamento oficial do app da Eurovelo 5, Via Romea (Francigena) e quem quiser saber mais informações, basta clicar aqui.

Abaixo, fica minha despedida da Itália, em Foligno, de uma maneira feliz com o ânimo de um bom italiano! Obrigado Itália, obrigado Via Francigena por ter me proporcionado esses momentos.


#viaflaminia #itália

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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