EP. #1 - Fossato di Vico / Villa Col dei Canali / Scheggia / Cantiano / Cagli / Acqualagna / Furlo



►Apesar da chuva e de muito cansado depois dos 1.950 km de Via Francigena, aceitei o convite do Alessandro que mora em Arezzo e que conheci no Caminho de Santiago. Passei a noite em Arezzo descansando num B&B e logo cedo, eu, o Ale e mais dois amigos dele, Francesco e Ferdinando, pegamos a bike rumo noroeste, destino: Via Flaminia!

Um pouco de história - sobre Via Flaminia: "A Via Flaminia foi construída 220 AC pelos Gaius Flaminius, como um elo de ligação entre Roma e Ariminum (hoje Rimini). A estrada cruzava os Apeninos numa estreita passagem entre as montanhas Pietralata (889 m) e Paganuccio (976 m), à esquerda do Rio Candigliano por uma via pré romana. No período Augustan (27 AC - 14 DC) iniciou-se uma restauração desse caminho com uma série de subestruturas de rochas que foram adicionadas e a via passou a ter túneis. Essas subestruturas são visíveis hoje em dia e estão inseridas na estrada principal com rochas de até 20 m de altura." - fonte: cartazes de estrada

Traçamos o percurso, mas não da Via Flaminia completa que iria até Rimini, mas sim saindo de Jesi, Fano, Fossombrone, passando por Pesaro até a cidade de Fossato de Vico e e chegando finalmente a Senigallia.


Primeiro um trem de Arezzo em direção a Fossato di Vico, 1,5 hs de viagem, 1 baldeação.

Curiosidade - sobre Trenitalia: "A bike pagou de € 1,50 a € 3,50 dependendo do trajeto. Existe um vagão especial para se acomodar as bicicletas, porém como estamos na Itália, nunca se sabe se é o primeiro ou o último vagão então se espera o trem para saber aonde se vai. Como muitas vezes se espera o trem no final da plataforma, pois no meio dela é impossível saber qual vagão correto da bike, quando o trem para o vagão pode ser o oposto. Assim, a correria é geral para não se perder o trem."

Durante a viagem passamos ao lado de Assis, a grande cidade de São Francisco de Assis e do trem deu para ver quão linda é a cidade.

Um pouco de história - sobre São Francisco de Assis: "Na juventude de Francisco, por volta de seus vinte anos, uma guerra começou entre as cidades italianas chamadas Perugia e Assis. Ele queria combater em Espoleto, entre Assis e Roma, mas caiu enfermo. Durante a doença, Francisco ouviu uma voz sobrenatural. Esta lhe pedia para ele "servir ao amor e ao Servo". Pouco a pouco, com muita oração, Francisco sentiu em seu coração a necessidade de vender seus bens e “comprar a pérola preciosa” sobre a qual ele lera no Evangelho.Certa vez, ao encontrar um leproso, apesar da repulsa natural, venceu sua vontade e beijou o doente. Foi um gesto movido pelo Espírito Santo. A partir desse momento, ele passou a fazer visitas e a servir aos doentes que sem encontravam nos hospitais. Aos pobres, presenteava com suas próprias roupas e também com o dinheiro que tivesse no momento." - fonte: Cruz Terra Santa

Hoje a chuva estava intensa, não deu trégua. Acho que choveu hoje tudo o que não choveu na Via Francigena. Mesmo assim, saímos da estação de Fossato de Vico e prosseguimos cicloviagem. Muito frio e uma chuva não intensa, mas irritante, dessas que não dão trégua em momento algum. Nos primeiros 20 km, uma variação altimétrica de aproximadamente 200 m esquentou e judiou um pouco mais das pernas já tão desgastadas pela Via Francigena. Felizmente os trechos seguintes foram planos e foi possível seguir viagem sem maiores problemas. A direção sempre era a estrada velha, paralela à estrada principal e com poucos carros. Seguimos mais 33 km até paramos em Furlo e nos hospedarmos num B&B no meio da estrada.

Durante o trajeto passamos por muitas vilinhas, atravessando também a região de Umbria para Marcas.


A viagem foi tranquila, 450 m de montanha acima e muitas paisagens bacanas. No começo muitos carros, mas depois uma estrada velha nos levou até Furlo onde vamos passar a noite. A ideia é chegar no Mar Adriatico em dois dias e depois voltarmos de trem.




►Acima, Furlo a noite, nosso primeiro descanso depois de um jantar e um bom vinho.

#viaflaminia #itália

Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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