EP. #33 - San Gimignano / Montelonti / San Lucchese / Bellavista / Staggia / Castellina Scalo / La C


►Realmente San Gigminiano foi uma experiência não tão agradável. Acordei bem cedo hoje para tomar rumo novamente e aproveitar o clima da manhã, uma vez que quando abri a janela hoje não havia uma nuvem no céu, assustou!

San Gimignano tem diversas portas de entrada e ontem naquela confusão de internet que eu vivi, programei mal o GPS que me aplicou uma chave de braço hoje. Estava tão aflito para sair da cidade, saí sem sequer parar num bar para tomar um café, que apenas apertei "ride" e deixei ele me guiar. Descida, só descida que eu via. Quando foi lá pelo km 10, reparei que San Gigminano estava às minhas costas e achei estranho, ou seja, estava eu voltando pelo mesmo caminho que havia chegado? Esquisito, muito esquisito! Parei para conferir o mapa e tomei um susto que vi que faltavam 330 km para Buonconvento, meu destino de hoje. Como assim? O "route planner" estava me fazendo uma rota circular na Toscana? Não entendi o porquê, apaguei tudo, comecei do zero e quando vi tinha pedalado 12 km a mais, o pior, em descidas. Dei a maior volta e só fui conseguir fazer o contorno na altura da cidade de Montelonti. Nossa, quanto mal humor, sem café da manhã e ainda pegando rota errada.


►Recuperado do mal humor após alguns quilômetros, cheguei a Montelonti sedento por um pão, um café ou qualquer coisa que preenchesse meu estômago após o Ensure da manhã. Parei num bar e lá pedi um chocolate quente, um pão e um suco. Interessante como o chocolate quente deles é bem espesso e feito com chocolate amargo, uma delícia.

Continuei da rota passando por diversas cidades industriais (um caminho nada a ver com a Via Francigena, até que na altura de Monteriggioni, já na província de Siena, foi possível avistar as famosas placas marrons escrito "Via Francígena". Passados 2,5 hs de pedal, avistei um castelo e apesar de subida, para lá me dirigi! Era o Castello di Monteriggioni.


►O castelo foi construído no séc XIII, possui 14 torres, foi lembrado por Dante Alighieri na sua obra "A Divida Comédia":

per che come in su la cerchia tonda Monteriggioni di torri si corona, cos la proda che 'l pozzo circonda torreggiavan di mezza la persona li orribili giganti, cui minaccia Giove del cielo ancora quando tona (Dante - Inferno canto XXXI, 40-45)

►Após adentrar pelo portão medieval, é possível avistar a grande praça com vista para as igrejas românicas (acima), um museu de armadura medieval, muitos restaurantes e um passeio de 570 m pelas suas torres. Nada mal, embora repleto de ônibus turísticos.

Segui viagem rumo Siena, a grande cidade que só fui conseguir alcançar por volta do km 47.

Siena impressiona pela sua grandeza. Na verdade, se chega à cidade e nem sabe-se muito para onde ir, mas nessa altura do campeonato estava já procurando um restaurante, tamanha a minha fome.

Voltando e encarando uma subida para o centro de Siena, patrimônio mundial da UNESCO, a cidade pode ser dividida em três colinas: San Martino, Camollia e Città, e seu ponto central é a enorme Piazza del Campo (abaixo), inclinada como um anfiteatro, foi o lugar onde o fórum romano costumava ser realizado.


►Após um breve passeio pelas ruas do entorno, um guarda se dirigiu a mim e pediu para eu me retirar pois ali bicicletas eram proibidas. Achei estranho, mas acatei. Peguei uma longa descida, de onde era possível se avistar a Basílica Cateriniana São Domenico (abaixo):


A essa altura estava com muita fome, achei um restaurante e pedi uma lasanha e uma "cheese cake" de sobremesa. Já preocupado com o calor, acabei não ficando muito tempo em Siena. Talvez outras atrações pudessem ser interessantes, mas estava ali de passagem e com o pouco que vi, eu me dei por satisfeito.

Estrada novamente, agora rumo a Buonconvento, meu destino final. Foram mais 30 km e dessa vez a altimetria pelo menos me ajudou. O calor batia os 35 graus no GPS quando finalmente cheguei ao destino e quer saber, amei de imediato! É desse tipo de cidade que eu gosto, bucólica, meia perdida entre os campos da Toscana.

Buonconvento me fez lembrar muito uma cidade chamada Molinaseca que passei no Caminho de Santiago em 2014 (post relacionado). Questão de uma hora para você conhecer a cidade toda. Uma cidade pequena, pacata, livre de turistas alvoroçados e sedentos para conhecer o maior número de atrações o mais rápido possível, fazendo filas em sorveterias, gritando e deixando o lixo para trás. San Gimignano era assim, Buonconvento, o oposto. Saí a noite para fotografar e se vê crianças jogando bola na rua e uma cidade para lá de charmosa, com poucos restaurantes e um povo bem mais tranquilo.



Consegui uma pousada fácil e hoje me dei ao luxo de ficar sozinho num quarto com internet, escrivaninha e uma cama de casal. Isso sim para mim é considerado cinco estrelas. Amanhã ainda sem destino certo, vou deixar para decidir no início da manhã.

Nesse ponto da viagem parece que tudo se faz mais lentamente e que aquela fobia de pedalar, pedalar, já passou. Hoje o pedalar faz parte da minha rotina e quando fico sem, o corpo e a mente pedem e avisam: é hora de partir!

Boa noite, Brasil!

#itália #viafrancigena

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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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