EP. #20 - Martigny (dia de pausa)


►Martigny é muito quente no verão, 30 graus hoje, então deu preguiça de acordar e ir passear; passei a manhã toda organizando as coisas, dei um trato na bike, lavei roupa, essas coisas. Fiquei esperando o Jeff, havia marcado com ele às 12 hs aqui na igreja. Quando ele chegou, entregou-me uma lista mais atualizada dos locais para eu ficar na Itália. Conversamos bastante, ele me contou que a primeira vez que foi fazer o Caminho de Santiago partindo aqui da Suíça, a filha dele o chamou de louco. Anos mais tarde ela foi fazer com Caminho de Santiago com ele e voltou a afirmar que ele era louco, mas ela também. Conversas de peregrino, um sempre disposto a ajudar ao outro. Fiquei muito grato a ele por todo o apoio que ele me deu desde quando a Via Francigena realmente me chamou em fevereiro desse ano. Ficamos num bom bate-papo durante uma meia hora e nos despedimos. O momento da despedida é muito interessante pois fica a sensação que você quer que a pessoa fique ali conversando com você, mas depois de um tempo que a pessoa se vai, flui um entendimento de que o caminho continua, novas pessoas, novas estradas passarão à sua frente.


►Fui ao Chateau de la Batiaz, o castelo é medieval, século XIII, e no passado foi uma fortificação militar e fica num ponto com vista estratégica da vila de Martigny. Embora pequeno, existem instrumentos de tortura medieval dentro do castelo, uma taverna, um espaço reservado para apresentações, área de piquenique, etc. Fica uns 800 metros donde estou, numa colina rodeado por plantações de uva. E parei um tempão no topo da torre para admirar Martigny de cima, uma boa hora para refletir o porquê vim parar aqui, o porquê conheci o Jeff e o que estou fazendo aqui. Acabei almoçando aqui na igreja mesmo, tem uma cozinha no meu quarto e acabei fazendo o resto do macarrão de ontem.




Logo depois fui a uma área de lazer aqui da vila chamada “Western City”. Há uma lagoa dentro dessa área onde se praticam windsurfe, canoagem. No calor que faz nessa vila, estava cheia em plena quarta feira.


Saí de lá, passei no mercado novamente para comprar umas últimas coisas e voltei para a igreja, concentração total para amanhã para a subida de 41,4 km do Col du Grand-Saint Bernard nos Alpes Suíços.


Desafio, talvez, não quero ficar pensando muito, sei que tem muita gente torcendo por mim, vou tentar fazer o meu melhor. Pretendo passar duas noites no Hospice du Grand-Saint Bernard, um lugar que sempre sonhei em conhecer. O “Hospice” tem uma história que mistura religião e acolhimento às pessoas que atravessavam os alpes durante o inverno, um lugar mágico de origem medieval. Quem tiver interesse de assitir a um vídeo de 3,5 min sobre o "Hospice", clique aqui, vale a pena.

Despeço de todos e amanhã se Deus quiser, levarei para o Brasil a honra de em 24-08-20171 ter escalado pedalando o Col du Grand-Saint Bernard.

#viafrancigena #suíça #vídeo

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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