EP. #17 - Pontarlier / La Cluse-et-Mijoux / Les Hôpitaux-Vieux / Les Hôpitaux-Neufs / Jougne / Les T


Que frio hoje cedo! Estavam 7 graus na hora que acordei, mas não foi tão difícil sair da cama pois dormi muito mal. Acordei no meio da noite e não consegui mais dormir. Quando peguei no sono novamente, o dia já tinha clareado. Não sei o porquê, talvez ansiedade.


►O fato é que arrumei minhas coisas rapidinho e pé na estrada. O problema de se sair agasalhado é que conforme se vai pedalando, o corpo esquenta e sua. Daí com o corpo molhado, é só aparecer a primeira descida para se congelar em cima da bike. Então nessas primeiras horas, posso dizer que passei muito frio e muito calor ao mesmo tempo.

A estrada sul rumo a Lausanne foi bem tranquila, algumas horas passava naquelas famosas vilas, outras pegava estradão mesmo. Logo nos primeiros 5 km já é possível se avistar o Château de Joux, que é um castelo localizado em La Cluse-et-Mijoux. Esse castelo desempenhou um papel de defesa da região até a Primeira Guerra Mundial. Entretanto, apesar de lindo e histórico, só de ver a rampa que tinha para chegar até ele, desisti de primeira. Hoje era um típico dia para ser puxado por aquele motorzinho da bike elétrica.


►Hoje é domingo, por volta das 10 hs da manhã já estava sol e as pessoas saem da toca. As praças ficam cheias e uma coisa que notei é que há muitas feirinhas de antiquários. Quando passei em Les Hôpitaux-Vieux (que nome de cidade), as ruas estavam lotadas.

A tão esperada fronteira da França com a Suíça apareceria no quilômetro 26, depois de muitos sobes e desces. Nada de especial, mas no mínimo emocionante saber que era a segunda fronteira que atravessava nessa viagem, ainda mais depois de ter passado 15 dias na França. Um único guarda na fronteira me mandou passar e cheguei à Suíça, simples assim!


►O restante da viagem foi um pouco monótono, passei por muitas fazendas de criação de gado, peguei estradas, estradinhas e o cansasço da noite mal dormida começava a pesar. Levei um tombo hoje (o primeiro da viagem), estava devagar, não me pergunte como desiquilibrei, mas pulei antes da bike rolar. Faltando 5 km para Lausanne, avistei um num restaurante e não tive dúvida de parar, pois meu lanche da viagem ainda foi aquele pão com geleia que veio de Langres. Aqui, já a primeira facada, CHF 40,00 um almoço, mas encarei. Já eram quase 15 hs e parti definitivamente o Centre Ville de Lausanne, cidade essa que é a segunda maior às margens do Lago Léman. "O Lago Leman, conhecido também como Lago Genebra, tem origem glacial em torno de 15 mil anos. A parte norte do lago pertence à Suíca, enquanto sua parte sul pertence à França. Seu nome, provavelmente de origem céltica "grande (lem) água (an)" e chegou a nós através de sua variação latina (locus Lemanus). - O Filósofo Peregrino, Marcos Bulcão, 2014"


►Dei uma volta por Lausanne que respira modernidade! Nas ruas, no metrô e nos ônibus, você ouve muitos idiomas, inglês, francês, coreano, árabe, tem de tudo.

Assim que consegui me hospedar, fui comprar um tíquete de ônibus e metrô para poder bater perna, xô ônibus de turismo. Com o celular na mão para me localizar, procurava onde queria ir e dá-lhe transporte coletivo. Fiquei impressionado com o sistema de transporte deles, tudo integrado e pontual. Num determinado momento parei num ponto de ônibus e não vi aquelas letreiros eletrônicos, mas havia um quadro com o horário que o ônibus passa todos os dias da semana e feriados. 15:27 hs era o horário do meu ônibus. Eram 15:20 hs, fiquei esperando. Fiz questão de olhar no relógio do celular, às 15:26, consegui avistar o ônibus num ponto atrás - uma coisa impressionante. Fui então de ônibus à Catedral de Lausanne, construída com estilo gótico no século XII.



►Desde 2003, ela abriga um enorme órgão de sete mil tubos, que é usado em concertos e eventos. Em seguida peguei o metrô e fui à estação Ouchy-Olympique, uma antiga vila de pescadores que teve sua orla toda arborizada. De lá também é possível se avistar o Cháteau d’Ouchy e sua torre do século XII. E assim o dia terminou por hoje.


►Passarei duas noites em Lausanne. Desenhei uma programação e uma rota para a escalada do Grand San Bernard para a próxima quinta-feira, dia 24. Já contatei o Jeff, meu amigo suíço, que muito gentilmente me arrumou uma hospedagem dentro da paróquia protestante de Martigny. Martigny fica a 70 km de Lausanne, na outra ponta do Lago Leman, e é o início da escalada do Grand San Bernard. Segundo a minha programação devo chegar em Martigny nessa terça-feira. Toda estratégia feita por mim e com o apoio do Jeff para não termos surpresas no final dos 40 km de subida da montanha. Agradeço muito esse suporte que ele vem me dando desde o começo da viagem com dicas e orientações da Via Francígena completa.

Fico por aqui, pois os 70 km de hoje me deixaram bem cansado pela falta de sono na noite anterior. Espero recuperá-lo agora.

#frança #viafrancigena #suíça

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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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