EP. #1 Canterbury



►Saí de São Paulo com o coração na mão. A última frase da minha mãe minutos antes do embarque simplesmente derreteu meu coração! "Mamãe te ama mãe. Que Deus te acompanhe!". O suficiente para ir chorando da área de embarque até dentro do avião. Sempre digo que onde arrumo força para fazer uma aventura dessas é justamente na força da Dona Eny. Eu me sinto apequenado perto dela e todas as coisas supostamente difíceis para mim, passam a ser fáceis.

Depois de 11 horas de viagem cheguei a Londres.Tudo muito organizado, bem sinalizado, mas caro. Gastei £ 25,00 para pegar o trem expresso, mais £ 30,00 de um chip GSM que julguei essencial por questão de segurança. O bilhete de metrô não sai por menos de £ 6,50 até Victoria Station. Passagem até Canterbury, £ 37,00. Tá fazendo a conta? Vida de peregrino não combina com centro urbano e embora ame Londres, hoje aqui não tem nada a ver comigo. Procuro algo mais minimalista e espiritual, nada mais.

Assim que cheguei à estação o trem partiria em 20 minutos e assim foi, nem um minuta a mais ou a menos. No meio da viagem o bilheteiro me chamou a atenção que o trem iria se dividir em Ashford International Railway Station. Sim, essas coisas que não estamos acostumados, o trem se partiria em dois e por isso eu deveria de dirigir ao carro da frente juntamente com a minha bagagem.

Canterbury é uma cidade pequena, cidade inglesa muito simpática. Peguei um taxi tão logo saí da estação. O hostel, Kipps Hostel já reservado, ficava a uns 2 km da estação mas não conseguiria caminhar com esse excesso de bagagem. Chegando ao hotel, nada de check-in, somente às 14 hs, mas tudo bem, aproveitei o tempo para montar a minha bike. A bike chegou em bom estado no mala bike, com o freio traseiro um pouco desregulado, mas sinceramente para uma viagem de 11 horas no bagageiro do avião ela chegou novo. A host do hotel me atentou para não deixar a bike em frente ao hotel, pois é, aqui também roubam e como pude observar todas as bikes paradas na rua estavam trancadas. Uma constatação, meus alforges de 42 litros cada ficaram lotados, não sei como veio tanta coisa e me questiono se vou precisar, embora a pesquisa para "o que trazer" tenha me custado um mês de refexão. Diga-se que este hostel é uma graça, tem um belo jardim atrás onde estou agora teclando.


Após montar a bike e preparar a mala de retorno (chamo assim pois é uma mala que despacho para um ponto perto da minha chegada, essa foi despachada para a casa do meu amigo italiano Alessandro em Arezzo, Itália), saí para dar um fim nessa mala. O Post Office não quis despachar a mala cheia ??? (um mala bike, uma camisa e uma calça, uma bomba de pneu e outra de suspensão e um monte de plástico bolha. Fui atrás de um courier e essa brincadeira de mandar isso pra Itália me custou £ 120,00. Pensei em até eliminar a mala, mas decidi não. Próxima vez vou repensar nessa logística.


Finalmente, morrendo de fome, estou 4 hs na frente no horário fui para o centro conhecer um pouco da cidade. Comi no Subway e fui andar. Queria muito conhecer a Catedral, estava em reforma, mas consegui entrar. Na parte interna, belos vitrais e um coral ensaiando. Vou a missa nesse fim de semana, pretendo ir no domingo, pois tenho um encontro com o Reverendo Claire, quem nos (a mim e a bike) abençoará no dia da partida, domingo. Não vejo a hora de partir, mas seguro minha ansiedade, aos poucos vou me acostumando a esse estado de flow que a cicloviagem proporciona. Curtir cada minuto, sem pressa, deixar a imaginação fluir e as coisas acontecerem.


Panorâmica do fundo do Kipps Hostel em Canterbury.

#viafrancigena #inglaterra

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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