Dia #3: Amsterdam

Atualizado: 12 de Set de 2019

Meu pai, já em seu leito de morte, chamou-me:

Filho, obrigado por tudo, disse ele. Pa, não precisa agradecer, pois tudo o que faço é de coração para você!Agradeça a todos os que atravessam seu caminho meu filho, disse ele novamente.


Com esse ensinamento, tento agradecer a todas as pessoas, mas jamais imaginaria um dia agradeceria a uma cidade.


Praticamente uma noite sem dormir para um reencontro especial, cheguei à Amsterdam, meu ponto oficial de pedalada para a jornada à Nordkapp.


Há exatamente trinta anos, eu pisava por aqui. Solteiro, sozinho, perdido. Passei pelos lugares que estive, a inesquecível praça Dan, onde em julho de 1992, acordei uma noite no meio da praça por conta de um bolo de canabis. Outro momento histórico, outro momento de vida.

Amsterdam mudou muito, para melhor. Admiro essa capacidade de fazer muitíssimo melhor o que já era muito bom.


As ruelas e canais de Amsterdam, a sensacional estação de trem, o clima e a velocidade sincronizada da cidade é uma coisa impressionante. As bicicletas e seus ciclistas sem capacete, a mobilidade. Hoje, meu host me disse algo que me impressionou: “pegar para si uma bicicleta abandonada é socialmente aceito, uma vez que essa ação ajudo o coletivo”. Então, por conta disso, todas as bicicletas paradas têm cadeado. Humilha, realmente me faz pensar o quanto temos que evoluir para chegar perto de um nível desses.

Humilha tanto que apenas andei um pouco pelos lugares que passei, fotografei e acabei voltando. O reencontro rápido mas que valeu para relembrar o quanto um momento desses contribui para definir minha personalidade de hoje. Passou um filme na minha cabeça hoje, é muito louco como mexeu comigo.


Amanhã vou embora de Amsterdam, mas muito feliz pois hoje tive a certeza que não existiria cidade melhor para o início. Sei que um dia voltarei, daqui mais trinta anos, não sei, mas teria curiosidade de saber.


Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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