Dia #29: Koltjärnen / Kläp


Não dormi direito a noite, não sei o porquê, virava de um lado para o outro e apesar do cansaço não conseguia pregar os olhos.


Acordei 6h00, desci para tomar café que havia sido de cortesia. Entrei no restaurante, cheio de gente, café da manhã farto. Comi um pão, tomei um café e voltei ao quarto; não estava bem.


O dia amanheceu muito frio, dez graus, tempo nublado. Comecei a arrumar minhas coisas e quando deu 10h00, parti rumo norte.

As primeiras horas do dia foram cansativas, estrada monótona, cheia de caminhões e tobogãs intermináveis. Por volta do quilômetro trinta, peguei um desvio à direita, pedalei cinco quilômetros numa subida, outro desvio e apareceu o incentivo do dia, estrada de terra. Sempre um pouco receoso por conta do meu pneu liso, cheguei à conclusão ele também já se acostumou às mudanças repentinas e nunca mais furou. Foram trinta quilômetros de estrada de chão batido entre fazendas e lagos. Linda paisagem e aventura, não fosse tamanho o desgaste físico no dia de maior altimetria desde o começo da expedição, 1200 metros. Levando em consideração que estava pesado por conta da comida que comprei no dia anterior, o desgaste foi extenuante.


Caminhões com enormes carregamentos de madeira cruzavam meu caminho em uma estrada que me lembrou muito a Carretera Austral, Extremos do Mundo, parte um. Em certo momento, apelidei-a de Carretera Meridional, tamanha a similaridade. Foi então que um desses caminhões gigantes parou, perguntando-me se precisava de algo. Trocando ideia com o motorista, ficou deslumbrado pelo fato do meu destino final; partiu logo depois entre a interminável floresta de pinheiros.


O chão batido terminou e constava no mapa que teria que cruzar um braço do Mar de Bótnia. Ansiedade para saber como seria essa travessia de Utansjö. Uma ponte gigantesca que faz parte da E4, rodovia que leva ao norte, faria essa ligação; o acesso à ponte deu-se por vielas e estradas de terra contornando o mar. Passei pelo enorme arco da ponte seguindo sentido norte. Logo após, uma subida interminável seria o grande desafio. Procurava campings pelo GPS e nada aparecia. Aos poucos, a estrada tornou-se inóspita.

Muito cansado, comecei a olhar para os lados procurando lugares para montar um acampamento selvagem. Meus suprimentos estavam de acordo, só faltaria-me água; necessitaria um “spot” perto de lagoas com acesso.


De repente, olho para o meu lado esquerdo e avisto um grande lago. Muito de longe, avistei algo, parecia um barco atracado, não consegui identificar bem o que era; fui xeretar. Contornei o lago para verificar e o que eu pensei que talvez fosse um barco, na verdade, era um píer pequeno e rudimentar. Achei interessante pois o “spot” ficava abaixo do nível da estrada, assim, não seria visto pelos carros que por ventura passavam na estrada. Em frente ao píer, uma mesa redonda e duas cadeiras velhas. Desci para analisar e vi que havia espaço para montar minha barraca. Acampamento selvagem é assim, eu chego, dou um tempo, verifico bem o ambiente e tomo a decisão de ficar ou não; decidi ficar. Montei a barraca, preparei meu jantar e logo depois já entrei na barraca devido ao ataque dos pernilongos.


Já dentro da barraca, eram 22h00 quando comecei a planejar a navegação do dia seguinte.


Descanso para esse dia duro e preparação e concentração para outro.

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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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