Dia #14: Copenhagen


Sol na cara as 4h30 e um baita frio. Coloquei uma meia nos olhos para dormir mais um pouco e levantei três horas depois.


No camping, fui o último a sair. Seriam os noventa quilômetros que me separavam de Copenhagen? Ansiedade tardia!

Depois de um bom café da manhã, preparei meus lanches e parti, não sem antes fazer mais uma amizade com René, um jovem ciclista de Hamburgo que viajava de bike pela Escandinávia.


Comecei bem no interior, entre fazendas e plantações de trigo. Depois, a rota pegava parte de uma estrada e beirava a costa. Durante o percurso, era possível se observar campos com centenas de painéis solares, rodeado por moinhos de vento.


Virei a direita numa vila, fugindo um pouco da rota para saber onde ia dar. Caí em uma praia de areia bem branca. Havia um píer, lá fiquei por alguns minutos observando o movimento de famílias e crianças brincando na areia.


Votei à rota e faltando vinte quilômetros, já era possível observar que me aproximava da cidade grande, vendo o movimento de ciclistas. As ciclovias ficaram mais equipadas, com áreas de apoio para os pés nos semáforos. Eram indícios que Copenhagen estava perto. Sempre quis conhecer essa cidade, mas jamais imaginaria que chegaria aqui de bicicleta um dia.


Confesso que toda paisagem urbana depois de dias acampando, assusta, por mais que fosse um sonho chegar aqui.


Chegando ao destino final, um hotel bem escondido no centro, indicação do Bugsy. Custei achar a entrada, que era no segundo nível do edifício. Uma rampa para subir com a bike e um pulo à recepção para fazer o checkin. Não sem antes passar minhas duas travas acorrentando a bike à uma cerca de aço. Por incrível que pareça, Copenhagen é uma das cidades europeias que mais bicicletas são roubadas. Há máfias especializadas em levar bikes daqui ao leste europeu para lavagem de dinheiro, segundo Bugsy.


Meu quarto, uma acomodação para oito pessoas com quatro beliches paralelos, um toalete, dois banheiros. Por aqui, gente de todos os países, todos idiomas misturados.


Depois de um banho demorado, atravessei a rua no mercado em frente. Comprei algo para comer, uma vez que no hotel, um simples cheeseburguer custa R$ 90,00. O lobby do hotel é muito movimentado com

mesas de sinuca e pin balls, acomodando gente de todos os países.


Hora de dormir e um comprido para relaxar a dor nas costas que veio depois desses oito dias consecutivos pedalando. Pessoas conversando no quarto em voz alta são educadamente interrompidas por mim pedindo-lhes silêncio; preciso descansar.


Amanhã, primeiro dia de descanso na jornada, merecido depois dos 900 km rodados desde Amsterdam.


Estar em Copenhagen é um sonho que realizei.


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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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