Enfim, Dunquerque



►Como é difícil sair para uma jornada dessas, depois de tudo arrumado, malas prontas, bike embalada é hora de partir, mas a tensão ainda é muito grande.

O apego que geramos nas coisas é algo fora de série. Por que somos assim? Tem que ser do nosso jeito e se não for estressamos, funciona assim?

Enfim, passar por alfândega, aeroporto e dormir no avião não fazem parte das coisas preferidas da minha vida, mas fazem parte numa situação dessas, não?

Fui para as poltronas do fundo do avião, sim, aquele lugar bem barulhento ao lado dos motores e, também ao lado de dois velhinhos que eu jurava terem incontinência urinária. Não foi assim, eles sentaram ao meu lado e ali grudaram. Passou bebida, passou jantar e nada de irem ao banheiro e eu me perguntava para onde ia todo aquele líquido ingerido? Meu Deus, me falaram uma vez que depois dos 40 a próstata cresce e diminui o tamanho da bexiga, será que para todos? Bem, a minha bexiga seguia por esse caminho, enchendo sem parar depois de muita água e duas taças de vinho. Num determinado momento não resisti, acordei-os e já dentro do banheiro esvaziando meu quilograma extra, sentia-me como se tivesse desfrutando de um banheiro de mármore numa mansão e não de um cubículo de um metro quadrado a 30.000 pés de altura. Que alívio, a felicidade é relativa.

Chegando a Heathrow, tudo bem. Fila grande da imigração, passei sem problemas e sem muitas perguntas dessa vez, retirei minhas malas que chegaram intactas. Comprei um chip de celular, 20 libras para 13 Gb para toda a Europa.

A questão de mobilidade urbana é algo que me fascina por aqui. Sou fã do “tube”, o metrô de Londres, organizado, com uma identidade visual e sonora peculiar, baldeações e caminhos fantásticos.

Cheguei St Pancras International, depois de pegar o Heathrow Express e um metrô passando por quatro ou cinco estações. O incrível, esse bilhete de ida de metrô me custou aproximadamente R$ 20,00.

Agora é hora de embarcar a Calais. Viagem de uma hora pelo Eurotúnel para depois trocar de estação para pegar destino Dunquerque. Adoro Londres, mas dessa vez, Londres ficou só como passagem tanto na ida quanto na volta.

Pois é, embarque autorizado somente uma hora antes, cheguei 50 min antes e a staff me falou que não podia embarcar a bike, que teria que levar até o despacho do trem pois ela era muito grande. O despacho ficava a 300 m dali, fui correndo, muito difícil de carregar, machuquei o ombro, pra chegar lá e outro staff falar que também não embarcava pois eles descarregam só em Paris. Voltei pra lá, expliquei a situação e ninguém tinha solução. Outro staff apareceu e permitiu, daí entrei na fila, outro staff apareceu e me pediu para sair. Voltei para sala dos bilhetes, o tem passava e eu ali. Foi quando apareceu uma santa, que falou que iria me abrir uma exceção, foi comigo até a entrada e falou está autorizado. Cheguei no raio X, o staff falou que não poderia embarcar; faltavam 15 minutos para o trem partir e ainda tinha que pegar a fila do passaporte. Apareceu a staff que me autorizou, discutiu com o outro e finalmente autorizou a minha entrada. Que loucura, entrei no trem cinco minutos antes da partida, pingando de suor. A viagem dura uma hora e chagando à Calais tem que trocar de estação de trem regional. Assim fiz e peguei o trem de Calais à Dunquerque, não antes de tirar uma foto do Hotel de Ville, prefeitura, de Calais.

Cheguei a Calais estrupiado, 23 horas de viagem depois. Conheci um taxista que pedalava também e esse me levou até o hotel. Não quis nem pensar em montar a bike, coloquei um calção e fui para a praia, pisar na areia e ver o mar. Hoje é sexta, dia de evento na cidade, dei um rolé, bati umas fotos e voltei pro hotel. Estou morto, sem dormir e com fuso de cinco horas. Amanhã levantar cedinho, testar a bike e deixar ela prontinha para o domingo.





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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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