O BANI na ótica de uma expedição de bike


O conceito VUCA, sigla em inglês, formada pela primeira letra das palavras: Volatility (volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity (ambiguidade) foi largamente utilizado em um mundo pós guerra fria quando vivenciamos um mundo com características pontuais: mudanças muito rápidas, às quais passamos a ter dificuldades em acompanhá-las; grandes incertezas globais, por exemplo, a crise de refugiados após atentados de 11 de setembro; complexidade de alternativas como por exemplo entrarmos para tomar um café em uma loja butique e termos que escolher entre dezenas de opções; ambiguidade em relação a todas as escolhas que temos que fazer, onde não existem respostas certas.


Entretanto hoje em mundo pandêmico, surge outro acrônimo e mais uma dessas simplificações bestas: BANI, que traz: Brittle (frágil), Anxious (ansioso), Nonlinear (não linear) e Incomprehensible (incompreensível).


Observo a preocupação das pessoas em definir nosso mundo em apenas quatro palavras, buscando uma nova atitude de pessoas e empresas frente a um mundo BANI, caso contrário, essas morrerão. Parece-me que a necessidade de mais caos é urgente!


Particularmente, da experiência que carrego de expedições de bike, sempre vi o mundo dessa forma. Não há novidades para mim!


Vamos às letras, não na ótica dos insuportáveis coaching, mas dos encontros reais que experiencio cada vez que saio para um desafio de bike.


Quando estou em uma jornada de bike mundo afora, a fragilidade perante aos encontros do mundo é notória. A bicicleta é um veículo pequeno, quebradiço e nosso corpo mais frágil ainda. Não só isso, os sentimentos durante uma expedição tornam-se frágeis, o que para mim sempre foi normal. Ter consciência do terreno onde estou pisando, quer dizer pedalando, sempre ajudou a ter uma ideia clara para tomada de decisões durante uma expedição.


A ansiedade vem na sequência. Impossível não a ter frente acontecimentos e decisões que estão por vir. O mundo é ansioso e sempre será.


Não linear? Nada é linear em uma viagem de bicicleta, começando fisicamente, pelas estradas. Se você sai para pedalar na expectativa de que as estradas são planas e com bom asfalto, escolha outro esporte. Seja no Brasil ou no mundo, botar a cara para fora e o pé na estrada requer o mínimo de conhecimento de que um dia perrengue você passará! Aqui, linearidade passa longe.


Por último, citam um mundo incompreensível, ou seja, pessoas e empresas tentam loucamente buscar respostas, mas não as encontram. Engraçado que das matérias que li não deram solução para isso!


Dessa maneira, a ótica do BANI traz esse caos como fator novo a ser trabalhado pelas empresas.


Penso eu, que seria mais fácil os executivos saírem para pedalar, que pegassem estrada um dia, que carregassem seus próprios pesos e culpas a se apegarem a simplificações bizarras. Dessa forma, aprenderiam mais do que postulados receitas prontas, que na minha opinião, mais atrapalham do que ajudam.


E a pergunta que fica é: qual o problema dessas palavras? Na minha opinião nenhum e já que é pra simplificar vou fazer do meu jeito! Basta ter coragem de decisões e consciência das atitudes que tomamos e dos inúmeros caminhos que poderemos ser direcionados. Ser frágil, ansioso, não linear e incompreensível não deveria novidade pra ninguém e muito menos defeitos de personalidade.


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