Marabá - day off


Acordei no mesmo horário habitual e sem despertador. Levantei e comecei a preparar meus equipamentos. Aí, eu me perguntei: afinal, que dia é hoje? Completamente perdido nos dias do mês e semana, fui checar a planilha de viagem e veio a descoberta: dia de descanso. Já estava vestido, voltei pra cama, tirei sapatilha, joelheiras e todos os apetrechos. Deitei novamente e fiquei deitado olhando ao teto e controlando a respiração. A gente se acostuma à rotina e nem percebe. Quando cheguei a Marabá no dia anterior, estava com 105 km no odômetro. O Sol estava quente, mas se tivesse que pedalar mais uns 50 km, provavelmente pedalaria. Cumpro uma missão todo dia, levantar cedo, fugir do pior horário do Sol, saber o que carrego de água e de comida, quais são as vilas antes do ponto final. São muitas questões e ficar um dia sem elas é estranho.

Realmente não estava bem, fui ao refeitório onde se servia um café da manhã bem simples. Só havia eu naquele lugar. Sentei e tomei meu café, cabisbaixo, como se tivesse tomado um golpe de um pugilista. Voltei ao quarto, não conseguia sair dele. Fui a uma bicicletaria onde deixara minha bike para lubrificação. O Guto, dono do Marabike foi gentil e não me cobrou um tostão.

Depois de 3 horas enrolando, já era perto do horário do almoço, resolvi chamar um Uber para me levar até a orla de Marabá. Chegando lá, sentei em frente ao Rio Tocantins, em um banquinho. O leito do rio estava baixo, era possível avistar o outro lado, algumas praias e pouca gente. Fui à uma churrascaria almoçar. Ao entrar, o barulho incomodava-me, as pessoas gritavam ao falar. Comi minha refeição, cara e ruim; em seguida, chamei novamente o Uber para voltar ao hotel. Chegando ao hotel, deitei e dormi.

Júlio, um jovem ciclista de Marabá, queria me conhecer. Marquei com ele fim de tarde. No meio da tarde, o Ednaldo, de Goianésia do Pará, apareceu de carro no hotel. Fiquei feliz em revê-lo. Entramos no carro e levou-me para um tour pela cidade. Meu astral melhorou, fomos a uma outra bicicletaria, a do tio Nelson, a mais antiga de Marabá. Voltamos à orla e fiquei sabendo que nos meses de abril e maio o rio enche, invade ruas, casas e até alguns comércios. Despedi-me novamente de Ednaldo, deixou-me no hotel.

À noite, o Júlio passou de bike no hotel. Levou-me para conhecer a casa dele, sua família. Sentei na varanda com seu pai, mãe e irmã. Queriam ouvir minhas histórias, saber os porquês! No final, ganhei dois pacotes de biscoitos de castanha do Pará.

Voltei para o hotel, meus equipamentos já estavam quase todos preparados para o dia seguinte, mas o sono não vinha, afinal havia saído da rotina!

O corpo e a mente se acostumam, é importante saber o que nos faz feliz. Os medos jogados a nós não são nossos, mas sim dos outros. Encontre o seu lugar, o seu tempo! O meu é aqui!

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