Macapá novamente


Preparei meus equipamentos na noite anterior para sair às 4h da manhã. A ideia era alcançar Tartarugalzinho pedalando 2 horas a noite e mais 2 horas de dia, chegando no horário limite do Sol, 8 h da manhã. Tudo preparado, comprara dois isotônicos, preparei meus lanches a noite e deitei às 20 h.

Enquanto o sono não vinha, comecei a me sentir estranho, dando-me vontade de ir correndo ao banheiro. Aparentemente recuperado do princípio de desidratação do dia anterior, ocorreu-me uma disenteria. Preocupei-me, imaginando que fosse algo muito gorduroso que comera no almoço, que aliado ao calor, produziu-me uma ebulição interna que me conduzia ao vaso de meia em meia hora.

O tempo foi passando e o horário de acordar se aproximando, quando finalmente o relógio despertou às 3h da madrugada. Tinha uma hora para arrumar meus equipamentos e partir conforme havia programado. Decidi postergar em uma hora a minha saída, na esperança de uma melhora; nada! Às 5 h a diarreia continuava e foi então que decidi abortar a etapa. Fui melhorar um pouco às 6 h, já com o dia raiado e fraco por tudo o que acontecera a noite.

Ao mesmo tempo, não queria ficar pela terceira noite seguida na pousada. Era hora de partir.

Analisei todas as possibilidades e decidi cancelar os trechos finais até Macapá. Triste por um lado, havia ciclistas me esperando em Tartarugalzinho, mas optei pela minha integridade física.

Fui atrás de um transporte que levasse a mim e a bike direto a Macapá. Na mesa de café da manhã, um doutor desembargador, fazendeiro tinha uma caminhonete. Conversei com ele e perguntei se ele iria a Macapá e se por acaso poderia me levar. Por sorte, havia quatro pessoas no carro e uma vaga sobrando, era minha. Não deixou que o ajudasse no combustível e partimos de Amapá às 15h embaixo de um temporal.

A viagem até Macapá durou 6 horas, com direito uma parada em uma vila no centro-leste do Estado, de nome esquisito: Pracuúba.

Cheguei a Macapá à noite e o gentil desembargador Manoel e sua esposa Áurea, deixaram-me na BR 156 na altura do posto da polícia rodoviária federal. De lá, liguei para Gabriel que foi me buscar de carro com um outro amigo ciclista.

Já com a bike e meus equipamentos no carro, rumamos para um ponto de encontro de pedais noturnos de ciclistas de Macapá. Segundo meus amigos, alguns deles queriam me conhecer. Ao chegar no ponto, impressionei-me com a quantidade de bicicletas. Há tempos não via tantos grupos reunidos, parecia uma festa. Formamos um grupo para tirar uma foto comigo, senti-me lisonjeado pela recepção dos amapaenses.

Saímos em direção ao meu hotel, mas antes paramos para degustar nosso jantar, uma bela carne de sol. Já cansado, meus amigos deixaram-me no hotel em seguida.

Minha ideia era acordar cedo no dia seguinte para conhecer Afuá, na ilha de Marajó, a cidade brasileira das bicicletas.

Dormi bem!

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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