Goianésia do Pará


Acordei às 4h30 pra arrumar meus equipamentos. Havia dormido bem, acordei disposto. Havia marcado com o Sr Édson às 6 h, em frente ao hotel que me hospedei.

Corri ao refeitório pra ver se conseguia tomar um café antes das 6 h, mas nada, nem as cozinheiras haviam chegado. Ainda assim, consegui fazer um sanduíche com um pão e um queijo que estava por lá. Meti tudo dentro da bolsa e saí para a estrada. Assim que peguei a bike, já avistei o Sr Édson. Com ele, um grupo de mais quatro ciclistas acompanhariam-me ao longo da estrada por alguns quilômetros.

A distância era ousada para esse calor e esse peso. 109 km separavam-me de Goianésia. Aos poucos, os ciclistas paraenses foram de dispersando, alguns voltaram antes e acabaram sobrando eu, Sr Édson e o Miro que me acompanharam. Quando Sr Édson resolveu retornar, o Miro gentilmente ainda me acompanhou um pouco mais. Despedimo-nos e parti só. Parei alguns quilômetros adiante. A estrada sem acostamento e livre de veículos era do minha naquele momento. Em pleno dia 22 de setembro, o Dia Mundial sem Carro, senti-me dono dela. A essa altura o calor era forte e a pouca altimetria fazia minha mente entediar. Era girar, girar e girar, horas a fio. Comecei a cantar o refrão da primeira música que me veio na cabeça. Assim foi:

“Jogue suas mãos para o céus

E agradeça se acaso tiver

Alguém que você gostaria que

Estivesse sempre com você

Na rua, na chuva, na fazenda

Ou numa casinha de sapê”

Distraiu-me por muitos quilômetros quando parei em uma vila para esticar as pernas e depois numa vendinha pra tomar um açaí.

Os quilômetros finais foram doídos, senti minha patela direita gritando apesar da joelheira.

Assim que entrei em Goianésia o odômetro batia 109 km e estava muito quente. Fui direto pro comércio do meu contato que me chamara para um isotônico. Assim que cheguei, lá estava ele, Edinaldo, cheio de vida, aguardando-me. Estava muito cansado, puxou-me uma cadeira, ofereceu-me o isotônico e em seguida o convite: “meu amigo, não só te convido para almoçar em minha casa, mas para dormir também, vá tomar um banho enquanto termino o churrasco que fiz pra você”. É muita gentileza para uma pessoa só. Edinaldo e sua esposa foram cordiais, prepararam-me um quarto, parecendo que me conheciam há tempos.

Descansei à tarde e, logo depois, eu e Edinaldo saímos pra dar um rolé de moto pela cidade. Assim como na noite anterior com o Sr Édson em Tailândia, passamos juntos pela praça e voltamos em seguida.

Embora cansado, saímos novamente, dessa vez de bike, para a casa de Helder, um baiano paraense pra lá de gente boa. Já era tarde da noite e a prosa entre eu, Edinaldo, Helder e um outro amigo, Adriano, não parava. Preocupava-me com o horário de dormir a fim de que pudesse levantar disposto no dia seguinte. Saí da casa de Helder, deixando pra trás mais amigos paraenses, talvez vendo-os pela última vez? Não sei, o mundo dá voltas e o Estado do Pará, os paraenses com sua generosidade não me saem da cabeça. O que dizer do que sinto sobre essa terra? Não muito, apenas que estou apaixonado por ela.

“Jogue suas mãos para o céus

E agradeça se acaso tiver

Alguém que você gostaria que

Estivesse sempre com você

Na rua, na chuva, na fazenda

Ou numa casinha de sapê”

Viva o Pará!

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