Fazendo a diferença


Ontem estive no meu treino diário de natação, quando ao me trocar no vestiário, o Sr. Agnaldo, uma das pessoas responsáveis pela manutenção do local veio a mim e perguntou: “Nestor, qual a diferença entre ética e moral?”. Imediatamente, eu lhe ofereci uma resposta bem simples: “Bahia (seu carinhoso apelido), a moral é o que você não faria de jeito nenhum, mesmo que não tivesse ninguém olhando. Já a ética é um conjunto de regras para facilitar a nossa convivência. Nesse instante, vi que ele ficou intrigado, mas me despedi e fui nadar.


Uma hora depois, de volta ao vestiário, estava ele ali com o celular em mãos. Mostrou-me o que estava escrevendo e me perguntou se estava gramaticalmente correto e emendou: “Qual a diferença entre princípios e valores?”. Também dei uma resposta simples e rápida a ele e lhe comentei que havia escrito um livro que contava uma jornada pedalando por 8 países que tratava de valores. Nesse momento seus olhos brilharam! Assim, saquei saquei um livro da minha mochila e o presenteei.


Saí de lá pensativo. Primeiro agradecido por ter tido várias oportunidades durante a minha vida que foram aproveitadas para chegar feliz onde estou hoje. Tive a nítida sensação que estava fazendo a diferença na vida daquele humilde ser, para melhor. Confesso que isso é um sentimento único visto que, em contrapartida, tive a honra de conhecer mais aquele funcionário que não me era superficial.


Foi aí que me veio outra reflexão: por que tendemos a ser rasos nas relações? Entendo que esse superficialismo nos acomoda a ponto de lutarmos para mantermos algo de uma maneira aparentemente viva, mesmo sabendo que ela está morta e já enterrada. Ainda assim fechamos os olhos e continuamos nossa jornada cruel, queremos sofrer sem saber! Então passamos a querer mais e mais conforto, trocando a ousadia e a coragem pela comodidade, pelo igual, pelo não desafiador. Dessa maneira, entregar-se ao novo pode parecer difícil, mas por que retardamos um processo que rege o princípio da vida? Se tudo tem começo meio e fim, não seria mais fácil aceitar isso? Queremos vida eterna enquanto tudo tem histórias finitas e nasce e morre, nós, as estrelas? Onde foi parar a nossa percepção de transitoriedade e de que nada é para sempre?


Pensar que se tudo possui seu ciclo de experiência, por que não renascer dessa então? Por que não aproveitar essa deixa da vida para sermos melhores? A vida é uma série de episódios! Acompanhemos a vida e nos façamos melhor a cada experiência vivida, que tal?


Mas atente, pois nessa hora chegarão os invejosos de plantão, aqueles com frases de efeito e crentes que controlam tudo. Onde você chegará com essa história? E a resposta a eles talvez seja bem simples: "não sei, só sei que viver e renascer bom demais".

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