Dia #9: Bremen / Waakhauser

Atualizado: 12 de Set de 2019



O dia aqui amanhece muito cedo, olhei no relógio às 5h00 e o dia já estava claro. Um frio louco do lado de fora e a barraca toda suada; foi difícil levantar. Entretanto, consegui descansar o corpo.


A jornada não seria tão dura quanto a de ontem, pois seriam 89 km até Waakhauser campingplatz, uns oito quilômetros depois de Bremen.


Foquei minha estratégia na alimentação, não queria chegar fatigado como ontem. Acordei, fiz cereais, tomei café e um croissant com peito de peru e de quebra botei para dentro meu último ovo cozido.


Quando voltava para desarmar a barraca, eis que surge Christopher. Falou que ficou preocupado comigo a noite por causa do frio. Convidou-me para o café com eles. Sabia que ia atrasar-me, mas não pude recusar. Desarmei a barraca, guardei tudo e passei no trailer deles para tomar um café e me despedir. Sabe quando parece que rola um sentimento de que poderia durar mais? Senti isso da parte deles, não queriam deixar-me partir. Convidaram-me novamente para visitar sua casa em Clopenburgo. É impressionante como a bicicleta e uma jornada dessas abre portas. Penso que muitas vezes realizo um sonho inconsciente das pessoas. Aqui, quando falo que estou indo para Nordkapp, o espanto é geral; não achei que fosse assim. Sinto que toco na coragem das pessoas, assim: se ele se propõe a fazer isso, por que eu não poderia mais? Para mim, isso é muito gratificante.


Ja passavam das 10h00, quando depois de uma foto, eles me liberaram. Antes, passei para conhecer a bonita lagoa que rodeava o camping. Uma pequena praia em frente onde crianças brincavam na areia.


Peguei estrada rumo Nordeste. Apontava para Bremen, apesar de já ter certeza de que não ficaria nessa cidade. Não estou no pique de cidade grande nesse momento.


A rota foi mais bonita do que ontem. Passei por varios vilarejos, plantações de trigo vom

muoinhis de vento ao fundo. Às vezes, parava nos parques e admirava crianças brincando à beira do lago e andando de bicicleta. A jornada foi cheia de mudança de direção. Algumas vezes pegava uma estrada, outras passava por dentro de vilarejos. Todas as estradas, sem excessão possuem ciclovias. Hoje em dia, eu entendo o dilema de um amigo francês no ano passado que se dizia deprimido com a estrutura cicloviária da França. Holanda e Alemanha estão acima de qualquer outro país nesse aspecto.


Notei que estava perto de Bremen quando comecei a passar uma região industrializada cheia de silos. O mapa do GPS mostrava-me a travessia de um rio. Cheguei e era por balsa. Um euro e meio por uma travessia de não mais do que cinco minutos. Entrei em Bremen; por um momento passou-me pela cabeça de dar um pulo até o centro, mas desisti depois que começou a desabar uma chuva. Abriguei-me por uns vinte minutos embaixo de um ponto de ônibus. Tão logo a chuva passou, segui viagem cruzando a parte norte de Bremen, mas nada que me chamasse a atenção. Segui sentido Nordeste até alcançar um camping e dessa vez dei mais sorte do que ontem. Entrei num caminho de árvores, que me levaria a uma local aberto mas com muita vegetação. De cara, já me deu vontade de ficar por aqui. De longe, avistei um sujeito fumando e sentado numa cadeira. Ufa, falava inglês. Fui conversar com ele achando que fosse o dono; não era. Foi muito simpático comigo, falou que o dono chegaria somente no dia seguinte, mas que eu poderia acomodar-me. Nao precisou falar duas vezes, armei minha barraca no meio das árvores.


Às vezes, as pessoas perguntam-me se não me sinto sozinho viajando assim. Sempre respondo que não e digo que tento fazer-me companhia o tempo todo. Entretanto, hoje pensei em outra resposta. Não da tempo de se

sentir sozinho, tamanho o número de coisas que se tem para fazer na hora que você chega. Hoje, o serviço foi completo depois de um banho quentinha. Lavei roupa, fiz minha janta numa coxinha ampla, com fogão e geladeira. Carreguei todos os aparelhos, ajustei a bike, arrumei a barraca que tinha descosturado. Ufa, cansei.


Hora de ir dormir, amanhã um grande desafio. Queria muito ir além de Hamburgo num camping indicado pela pessoa que conheci quando nesse camping cheguei. Disse-me que o lugar é maravilhoso, com muito verde e um lago. Para isso se concretizar, seriam 120 km amanhã. Acredito que o corpo já acostumou; estou sentindo-me bem, sem dores, sem remédio, porém, amanhã é amanhã e só lá verei. Boa noite a todos!

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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