Dia #8: Thülsfelder Talsperre


Sem dúvida, o dia mais cansativo. Eram 105 km que separavam o camping que me hospedava nas cercanias de Nordhorn até Thülsfelder Talsperre.


Queria dar uma estilongada, sabia que ia ser doído com o corpo ainda se adaptando. Foram sete horas de estrada, passando definitivamente da Holanda para a Alemanha. Mesmo com altimetria baixa, 136 m, os trinta quilômetros finais foram sofridos. Procurei tomar muita água e malto água. Ganhei do dono da loja de bike de Frankfurt um tabletes em gel; parecem uma bala, muito saboroso também. A preocupação era repor energia constantemente para evitar a fadiga no final; tive sucesso na estratégia.


Ao entrar na Alemanha, notei duas grandes diferenças. Nem todos falam inglês, principalmente os mais velhos e s respeito das ciclovias. Pioraram de qualidade mas não em quilometragem. Existem ciclovias em todos os lugares, estadas, dentro das cidades. Muitas vezes com o asfalto sobressaltado e sem pintura. Pois é, acostumar com o muito bom da Holanda e passar para um bom, é sentido na pele e na bunda.


Em alguns momentos tentei mudar a minha rota, caí num parque, estrada de terra; quis xeretar. Campos enormes de trigo espalhados por todo lugar. Rodei dentro do parque; existiam várias trilhas e no final acabei voltando para a estrada.


No no fim do dia, cheguei finalmente no camping onde tinha planejado. Lugar completamente diferente do que havia ficado na noite anterior; urbano, cheio de traileres.


Entrei e não havia recepção. Fui procurar pessoas para informação. Parei uma garoto de uns quinze anos, mas não falava inglês. Vi dois senhores sentados num trailer; fui até eles. Perguntei sobre a recepção. Não falavam inglês também mas conseguiram me dar uma indicação apontando. Fui até a zeladora do camping que me cobrou oito Euros, pela noite e pelo banho.


Montando minha barraca, um casal com um lá menina pararam para conversar comigo. Falavam um inglês regular, mas compreensível. Ficaram curiosos com tuso, com a minha experiência, com a bike. Christopher, Sabine e sua filha Pauline de cinco anos, todos de Clopenburgo. Gostaram das histórias e chamaram-me para beber um vinho com eles mais tarde em seu trailer. Terminei de arrumar as minhas coisas e fui. Dei um chaveiro de presente para ambos e foi o suficiente para selar a amizade. Convidaram-me para ir à casa deles e para o café da manhã no dia seguinte.


Parti para a barraca uma noite que deveria estar uns cinco graus. Não consegui conhecer os arredores, estava muito cansado, deixaria para o dia seguinte.

Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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