Dia #46: Alta / Descanso

Atualizado: 27 de Ago de 2019


Ah, um dia sem pedalar. Acordar e ficar na cama pensando quando vou fazer e se vou fazer. Pensar, pensar, virar de lado e dormir mais trinta minutos com as pernas bem esticadas. Isso se chama preguiça, para a Igreja Católica, um dos sete pecados capitais; para mim, um estado de glória, depois de uma jornada de 3500 km até aqui.


Arrumei um hotel há uns dois quilômetros do centro. A regra é clara, quanto mais afastado do centro, mais barato é. O hotel é grande e fantasmagórico; desde que cheguei, não encontrei ninguém por aqui, nem recepcionista, nem faxineiro; tudo é automático. Recebe-se um código por e-mail que vai fazer seu check-in, tão logo, você o digite na porta da recepção. O mesmo código dá-me acesso à porta do quarto. A cozinha do hotel é enorme e compartilhada. Só não sei com quem é compartilhada, porque ontem e hoje passei algumas horas lá cozinhando coisas e lavando outras e não vi sinal de gente, só eu mesmo.


Aqui na Noruega tudo é caro, pelo menos para mim. Minha estratégia econômica continua a mesma, compras em mercados e café e janta feitos caprichosamente por mim. O problema é que o mercado ficou mais caro do que nos outros países, apesar da minha receita culinária ser a mesma há mais de um

mês.


Saí de bike para conhecer Alta que só tem uma direção, o pequenino centro. Lá tem tudo, shopping, bares e lojas, além de uma igreja matriz com arquitetura bem moderna.


Tive a feliz ideia de trocar alguns Euros por Coroas Norueguesas. A novidade é que aqui ninguém faz isso, sequer usam dinheiro deles; tudo na base do cartão de crédito e débito. Se você precisa de dinheiro vivo, tem que retirá-lo no caixa eletrônico; câmbio, nem pensar. Inconformado, fui a dois bancos e a resposta negativa do câmbio foi a mesma.


Aproveitei e também revi o itinerário de volta de Nordkapp. Há uma empresa de ônibus que faz essa linha, chama-se Snelandia. Bati cabeça na internet para achar informações de custo transporte de Nordkapp para Alta, sem resposta. Fui a um no Centro pedir informação; mandaram-me em um escritório dessa empresa que também não tinha ninguém. Com minha persistência em alta, resolvi parar um ônibus da empresa e perguntar ao motorista; deu certo. Simpático, forneceu-me as informações que precisava para planejar minha logística de volta de Nordkapp.


Depois disso, fui atrás de uma caixa-cartão para embalar a bike quando a desmontar. Também consegui uma sem custo em uma loja de esportes.


Enfim, deu tudo certo, preparei o campo para a minha volta, valendo-me muitas e muitas horas hoje.


Por fim, subi em um morro de pedra de onde se avistava o Mar da Noruega e a cidade, eu o descobri por acaso.


Um boa compra de mercado para amanhã, lubrifiquei a bike e tudo pronto para amanhã.

Previsão de chegada em Nordkapp é terça-feira, sujeito às condições do tempo.


Bem, cheguei à última fase da etapa sete, parte dois, Extremos do Mundo, nem eu acredito. Daqui a Nordkapp serão 250 km e, depois, mais 30 km de Nordkapp à Honningsvåg para pegar o ônibus de volta a Alta. Ainda antes de Honningsvåg, teremos o túnel de Nordkapp com sete quilômetros de extensão e 212 metros abaixo do nível do mar, ou seja, algumas emoções pela frente.


Espero contar com o apoio de todos nessa fase. Mensagens pelo Garmin Inreach funcionarão até o dia 22 de agosto. Enfim, estou terminando a expedição e certo que poderei contar com a energia e a boa vibração de todos. Obrigado ao escritor catalão Toni Ros por ser meu mentor da parte dois e à Lyssandra Macedo, a mais ativa e dedicada espectadora, amo-te! Até Nordkapp.

57 visualizações2 comentários

Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

® 2020 Giraventura Consultoria