Dia #34: Fällfors


Acordei 3h30 com o sol, achando que fosse 7h00. Tampei o rosto com uma meia e voltei a dormir. Fui sair da barraca às 7h30 e a temperatura estava na casa dos oito graus. Deu para descansar do dia pesado. Por incrível que pareça dormir em cima do colchonete no chão fez muito bem para as minhas costas. Levantei apenas com uma pequena for no pescoço, mas nada grave que um spray gelado de Diclofenaco não resolvesse.


Consegui um lugar no camping ao lado de uma mesa e cadeiras. Isso facilita muito na hora de me organizar. Tomei café, desmontei a barraca que condensou durante a noite e aos poucos fui preparando-me para partir ao som de “Down Under”, Men at Work, Colin Hay, tentando definir bem as vilas que vou parar e a rota para não ter surpresas, principalmente na questão de abastecimento. Sempre levo o necessário para dois dias, mais do que isso é peso e energia jogada fora.


Fui pedir ajuda aos donos do camping que colaboraram prontamente ajudando-me a traçar a rota norte com o objetivo de pedalar pelo menos 95 km por dia até a Finlândia. Não pouparam esforços para me ajudar, consultaram campings em vilarejos próximos e traçamos uma rota de duas vilas, Boliden e Fällfors. Nessa última, um camping que ia socorrer-me no final da etapa com altimetria de 759 metros.


Segui viagem e não houve muita mudança na estrada. Primeiramente, um rípio só para dar bom dia, mas hoje foi pouco, depois só estradão. O aquecimento de hoje foi difícil, estava frio e as pernas gritavam nos primeiros dez quilômetros; depois, tudo melhorou. Com o corpo aquecido, consegui desenvolver bem até a vila de Boliden no quilômetro cinquenta. Havia um mercado e como já tinha consumido metade do meu lanche, resolvi comer algo quente. Achei dois peitos de frangos assados. Comi e tomei um refrigerante com cafeina; pronto, estava preparado para os 45 km finais.

Saindo do mercado, fui abordado por um senhor de bicicleta, morador da vila, que me perguntou se eu falava inglês. Começamos a conversar e ele a se interessar pela história do meu caminho e do set-up da bike. Ficou encantado, falou que admirava pessoas com essa disposição e no final perguntou-me em que cidade morava na Holanda. Falei que não, apenas havia partido de lá, mas que era brasileiro. As pessoas impressionam-se quando falo que sou brasileiro e muitas brincam perguntando-me se vim pedalando de lá. Todos os suecos são, até o momento, muito simpáticos comigo. De uma maneira geral, “ouviram falar” do Brasil em algum momento. Um desses suecos, cruzei quando estava no trecho final em direção à Fällfors. Parei em uma ponte onde havia uma barragem, saquei a câmera e comecei a fotografar. Foi quando apareceram a Annica e o Greger. Conversamos longamente antes de partir ao meu destino final. Sei que já falei isso anteriormente, mas fico admirado como uma bike de viagem desperta a curiosidade e abre portas. De certa maneira, as pessoas querem saber meu destino, o porquê da viagem, o porquê de viajar sozinho. Respondidas as perguntas, querem participar de alguma maneira, dando informações ou oferecendo algo. Concluí que é uma maneira das pessoas viajarem juntas nesse sonho e fazerem parte do legado.


A segunda parte da rota de hoje compreenderiam 37 km até Fällfors; um tremendo tobogã de subidas e descidas atravessando florestas de pinheiros e lindos lagos.


Tão logo adentrei à vila, depois de 98 km, avistei um camping ao lado de um rio e de uma igreja lindíssima. Por aqui fiquei. Um banho, uma noite de descanso e recuperação para encarar amanhã mais uma etapa dessa fase rumo à Finlândia.

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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