Dia #32: Umeå / descanso


Estou em Umeå! Sim, Umeå e se fala assim: /iumío/. É incrível como a pronúncia das letras não tem nada a ver com o que conhecia como idioma. A maioria das palavras são de origem germânica com um alfabeto modificado com å, æ, por aí vai. Conclusão, não entendo nada. Se meu interlocutor não souber inglês, como já aconteceu algumas vezes, não tem diálogo.


Fiz essa introdução porque hoje, no meu dia de descanso, uma das tarefas que havia planejado era levar a bike a uma oficina. Já desconfiado que ela estava ficando sem freios depois de mais de 2500 km rodados, fui à XXL, como o próprio nome diz, uma mega loja de artigos esportivos. Aqui tem de tudo, para todos os esportes, sem exceção, arco e flecha, tiro, pesca, simplesmente tudo. Equipamentos que nem pensamos que existam e que por mais que vivamos em um

mundo globalizado, o acesso deles, os europeus, a esse universo de tecnologia e perfeição é imediato.


Dentro da loja fui ao setor de bicicletas e pedi para o técnico abrir o freio e dar uma olhada nas pastilhas. Como eu imaginava, era hora de trocá-las, mas sinceramente, isso não vem muito ao caso.


Ter contato com gente, novos encontros e troca de experiência, definitivamente, uma das coisas que mais me motiva.


Abordei o técnico do setor que, à princípio, informou-me que estava muito atarefado. Eu poderia até executar a troca por mim, mas em uma viagem dessa magnitude, é prudente que ela seja feita dentro de uma oficina especializada. Preocupado sobre a possibilidade de ele fazer o serviço ou não, apelei para a história que comove. “Estou de passagem por Umeå, saí de Amsterdam com destino a Nordkapp e preciso partir amanhã!” Modéstia à parte, a história por si já comove, agora, comoveu ainda mais quando meu inglês saiu com aquele sotaque abrasileirado. Para que? Remus, o técnico, de origem romena, chegou à Suécia com sua família e é um apaixonado pela língua portuguesa. Conversamos bastante da similaridade do português com o romeno, afinal ambas são línguas romanas derivadas do latim. Remus contou-me da sua paixão pela sonoridade musical da língua portuguesa, da sua dificuldade em aprender o sueco e do esquecimento do inglês. No final do serviço que virou um bate-papo, ficamos amigos e trocamos contato.


Umeå era uma cidade que tinha curiosidade de conhecer há tempos. Primeiro, eu a conheci através de um dos vídeos de Darren Alff, ciclista de viagens americano, que se hospedou por esses lados, antes de partir para a sua viagem pela Escandinávia. Umeå tem grande atividade cultural, é uma cidade moderna com vários museus, como o museu da guitarra e museus de arte. Entretanto, estou aqui de passagem, com um grande objetivo pela frente e não como turista.


Voltando à minha base, ao hotel, parei antes em uma pizzaria para tentar acertar a pizza de atum. E deu certo! Uma pizza deliciosa acompanhada de um refrigerante por apenas 95 coroas suecas, uns dez Euros.

Já ajeitando as coisas para amanhã, estou empolgado. Na fase cinco, terei um desafio de 530 km até a Finlândia, deixando definitivamente a Suécia e chegando muito próximo do meu último destino, a Noruega.


Passa muita coisa pela cabeça, mas Nordkapp ainda continua sendo um sonho distante. Como e em que condições chegarei ou não à Nordkapp, o caminho vai dizer. Pragmático demais? Talvez? Esse é meu lado científico.

Preparados? Amanhã então, juntos, partimos para mais esse desafio.

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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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