Dia #27: Harmånger


Não tive pressa de sair hoje, mas minha meta era ambiciosa: pedalar 105 km entre montanhas e embaixo desse calorão.

Quando sai do camping, a dona perguntou-me se conseguiria, minha resposta foi: “Hope I will do my best!”.


Realmente foi difícil, eu já nem sei mais qual dia foi o mais difícil, mas esse foi um dos mais.

O tempo mudou três vezes; começamos com muito sol logo cedo, passamos a nublado com o vento norte trazendo nuvens e terminamos com um céu completamente azul.


Depois de duas horas pedalando embaixo do sol, encontrei um povoado, Enånger, estava com a cabeça estourando, resolvi parar para almoçar. Achei um mercado, comprei um macarrão, sentei em uma mesinha, tirei meus acessórios de cozinha e comecei a fazer o macarrão ali mesmo. Havia um estacionamento perto, hoje é domingo e o movimento no mercado estava grande. As pessoas passavam, olhavam, parecia que estava em casa com a música ligada ouvindo Blondie.


Um sujeito parou para conversar comigo, perguntou-me quantos quilômetros rodava por dia e que gostaria de fazer um dia com os filhos dele.


Hora de partir novamente, voltei à estrada, sentido norte. Um vento norte, começou a trazer nuvens, deixando o tempo mais fresco. Assim, deu para desenvolver melhor, apesar de mais pesado, carregando o 1,5 litro de água que havia comprado no mercado por precaução.


Hoje, fiquei emocionado ao sentir o vento norte pela primeira vez. Estava já desgatado depois de oitenta quilômetros. Era uma subida e num piscar de olhos, ele veio de encontro a mim. Parei entre as árvores, só para senti-lo. Sua sonoridade é menos agressiva comparado ao seu irmão na Patagônia, mas havia uma harmonia incrível no seu soprar, formando um lindo balé entre ele e as árvores. Uma hora depois, as mesmas nuvens que ele trouxera, foram-se, o céu ficou azul e a temperatura muito mais agradável. Foi acompanhando-me até o meu destino final, Harmånger, um pequeno povoado. Já com o sol mais baixo, passamos por incríveis cenários, lagoas e fazendas. Foi incrível!


O dia foi estafante fisicamente e cheguei exausto a um camping que havia marcado no GPS. O camping era enorme, montei minha barraca e saí para provar uma pizza sueca em uma pizzaria que tinha visto a duzentos metros daqui. Pedi meia atum e meia marguerita. O atendente não sabia o que era “tuna”; expliquei a ele que era um tipo de peixe que costuma ser vendido em latas. Enfim, apareceu com meia marguerita e meia camarão. Só de olhar ao camarão, minha alergia começou, mas não falei nada. Sentei na mesa, tirei um a um e comi a pizza inteira.

Voltei ao camping só para tomar banho e deitar. Minha barraca está uma delícia hoje. Há um friozinho lá fora, mas aqui dentro está quentinho.


Amanhã tem mais!

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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