Dia #19: Skärsjösjön / camping selvagem


Bom dia ao camping, 7h00, fui o primeiro a abrir a cortininha da barraca.


A ideia era pedalar pelo menos 100 km até algum canto que dessa para fazer um camping selvagem. Tudo teria que ser bem sincronizado e a estratégia era achar um supermercado alguns quilômetros antes da chegada para abastecimento.


Saí do camping e não gostei. Muito informal, muitos traileres, as pessoas não conversam, não interagem. Paguei 130 coroas pela estadia, valeu pelo banho e pelo uso da cozinha.


De cara, um estradão; sábado, um pouco mais movimentado do que os dias anteriores. Vinte quilômetros depois entrei a esquerda em uma pequena estrada. Para minha surpresa, uns dois quilômetros depois, um trecho de rípio, ah que saudades da Patagônia. O rípio daqui é muito mais fino, senão estava lascado com esse pneu liso. A preocupação sempre é furá-lo, mas hoje não tive surpresas. Segui viagem passando por florestas de pinheiros e algumas casas de campo. Eu me sentia bem e a pedalada rendia, nada como dormir bem e tomar um bom café da manhã. Aliás, acho que consegui chegar em um cardápio estável. Paro para comer a cada duas horas, preparo os sanduíches antes e geralmente os como tomando um achocolatado. Descobri aqui, conversando com os demais ciclistas que encontrei que não existe cardápio padrão. Cada um tem o seu evo melhor cardápio é o que faz você sentir-se bem. O René, ciclista alemão que encontrei, não ingere carbo. Sim, só proteína, e pessoa de cem a 120 km por dia.


Hoje o dia estava quente, uma hora fechou um pouco, caíram alguns pingos de chuva, mas a chuva mesmo não aconteceu.

A Suécia possui uma cor diferente. As florestas são todas de pinheiros, mas a vegetação baixa tem um tom avermelhado que dá um contraste lindo à paisagem.


O dia foi muito bacana, pois as estradas eram vicinais e acabava caindo em povoados ou pequenos vilarejos.


Já no quilômetro oitenta, comecei a ficar atento à supermercados pelas cidades por onde passava. Estava na hora das compras para o tiro final do acampamento selvagem. Aqui na Suécia, há uma lei que permite acampamento selvagens em lugares públicos.

O maps.me ajudou-me mais do que o GPS nessa hora e achou um mercado para mim. Saí carregado, com três litros de água, suprimentos para o jantar e frutas para o café de amanhã.


Comecei a me atentar ao mapa sobre lugares com lagos. O banho seria necessário hoje, depois de tanto suor. O problema era o peso. Já com as pernas cansadas, localizei uma lagoa perto do quilômetro cem. Entrei em uma trilha e dei de cara com uma barreira. Fui tentar abrir e havia um cadeado; voltei para estrada. Mais um quilômetro depois entrei em uma espécie de uma vila que dava acesso ao lago, havia poucas casas. Consegui acessar o lago e localizei um lugar perfeito, com píer e uma mesa. Fiquei um pouco temeroso, estava muito bem conservado, talvez fosse particular; estava na dúvida. Voltei à vila e vi um carro se aproximando. Assim que estacionou, perguntei ao motorista sobre a possibilidade de montar minha barraca à beira da lagoa. Falou-me que não haveria problema, cado fosse por uma noite.


Voltei para a lagoa, abri os bravos e agradeci por ter esse pedacinho só para mim. Um banho de água gelada numa lagoa lindíssima assistindo ao por do sol foi o meu fim de dia. O jantar veio já sequência mesmo incomodado pelo excesso de pernilongos. Recuperação nesse momento, para amanhã cedo partirmos Nordeste rumo a Linköping, cem quilômetros daqui. De pouco em pouco, chegaremos ao topo do mundo.

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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