Dia #18: Varnamo

Atualizado: 12 de Set de 2019


Acordei no horário de praxe, fiz meu café, organizei minhas coisas com

muita calma e ficou tudo prontinho em cima da bike. Orgulho! Nem tanto, já de capacete, luvas e pronto para sair, vejo o pneu de trás vazio. Meu Deus! Lá vou eu! Tira tudo arrumado da bike, alforjes, garrafas de água, ponho a bike de ponta cabeça e começo a operação pela quarta vez nessa jornada. Roda tirada, câmara remendada num furo mínimo só achado depois de mergulhar a câmara na Lagos, sigo a saga tentando colocar pelo menos dois bares de pressão, que é o máximo braço aguenta. Enchia e o pneu não dava pressão. Achei que fosse um problema de válvula, mas não, havia um outro furo. Novamente repito a operação, saco a roda, o pneu, a câmara e começo a procurar o furo. Achado, remendado e pneu enchido dessa vez. Com apenas dois bar de pressão no pneu traseiro e com todo o peso, a bike foi se arrastando nos primeiros quilômetros. Duro achar um posto com um calibrador. Somente vinte quilômetros depois de pedalar nessas condições, jogando minha energia pelo ralo, achei uma mecânica de estrada, onde gentilmente calibraram o pneu para mim. Que batalha essa manhã, impressionante!


Segundo estrada sentido Nordeste, sempre apontando para Estocolmo, conseguia desenvolver bem com a ideia de se pedalar, como ontem, algo em torno de cem quilômetros.


Vilas e povoados pelo caminho davam suas caras com belas casas, muitas de madeiras, mas com estilos coloridos e muitas vezes modernistas.


A rota de hoje cruzou trilhas, ciclovias, mas foi quase que oitenta por cento em estradas. Assim como ontem, estradas grandes que cortam florestas e lagos. A Suécia, já mostra as suas duas características principais para mim, florestas e mosquitos, pernilongos. Impossível permanecer parado por volta das 23h00, quando está começando a escurecer. Eles vêm em bando, em fúria. Geralmente já estou deitado nesse horário, mas qualquer levantada para ir ao banheiro é uma guerra minha contra uma tropa que vem de frente.

Hoje, fiquei na dúvida se pedalava mais um pouco ou não. Acabei nos cem quilômetros como ontem. Tento manter uma rotina para não desgastar o motor.


Cheguei à uma cidade, Varnamo, parece que estou na Toscana com esse nome. Por um momento pensei em fazer um acampamento selvagem, mas com a indicação do GPS, fui direto ao primeiro camping que achei. Nunca tenho problema de achar vaga, uma vez que o espaço que ocupo é mínimo. Check-in feito, fui à rotina. Armar a barraca, tomar banho, carregar equipamentos, fazer comida. No começo, já no camping, fiquei em dúvida se deveria ter continuado hoje. O camping é muito informal, acho essas pessoas estranhas, ninguém se olha direito, cada um na sua mesmo. Entretanto, depois do banho o arrependimento vai embora, ah, que delicia, que prazer é sentir a água escorrendo pela cabeça. Comida, escovar os dentes, nossa, tudo isso é muito bom e compensa o esforço de estar num ambiente de gente estranha.


Amanhã tem mais.

Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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