Dia #17: Makarid / Suécia


Tudo começou bem de manhã. Como de costume, o sol açorda-me às 5h00 e daí em diante vou me virando para dormir mais um pouco. Mesmo assim, 7h00 é o horário, como um relógio, tudo funciona em sincronia, do sono ao intestino.


Demoro três horas para arrumar tudo, fazer café da manhã, preparar lanches e rever se está tudo bem com a bike; hoje funcionou bem!


Saí 10h00 direto para a balsa que me levaria à Helsingborg, apenas vinte minutos de travessia. Entrei junto com os carros, pagando apenas 21 coroas dinamarquesas pela travessia.


No lado sueco nota-se já a diferença. A cidade impressiona e na entrada já é possível avistar o Castelo de Sofiero. Entre as subidas da cidade, passei pelo estádio Olympia, uma das sedes da Copa de 1958, a qual o Brasil foi campeão.


No semáforo, um homem me para e começa a conversar em sueco comigo. Disse a ele que só falava inglês e ele, nesse idioma estranho, insistia em me fazer perguntas; talvez quisesse ajudar-me. Foi-se sem entender nada, eu muito menos.


Segui viagem com o objetivo de fazer quilometragem em direção Nordeste. As distâncias aqui são muito longas, então planejei pedalar pelo menos cem quilômetro hoje.


Ainda em Helsingborg, ciclovias levaram-me à estrada. As estradas são largas, partes com ciclovias, outras sem. Quando não tem, há frequentes avisos de ciclistas e os carros passam em baixa velocidade.


Com calor de 35 graus e céu aberto, o dia foi sofrido. Depois de exatamente cem quilômetros cheguei à Makarid; uma vila simples, onde havia localizado um camping no mapa de frente para uma lagoa. Chegando lá, vários traileres e poucas barracas. Na região das barracas, uma família sueca padrão, pai, mãe e casal de filhos, todos loiros com olhos azuis. Também, uma alemã viajando sozinha e um inglês estilo easy rider, de moto. Os gerentes do camping vieram até mim depois que ficaram sabendo que estava indo de bike à Nordkapp. Fizeram mil perguntas e publicaram algumas fotos no Facebola do camping.


A chegada ao acampamento é um momento especial. Primeiro, cumprir a minha rotina de ir ao banho e jantar na sequência. No começo, uma certa preguiça de preparar a barraca, ajeitar s bike, lavar o que tem que ser lavado. Entretanto, o banho me dá uma outra vida.


Observava a família sueca logo à minha frente. Não conversam entre eles, parece que é tudo muito formal. Havia alguns patos na lagoa e comecei a jogar a eles aqueles biscoitos de arroz horrorosos, que carrego desde Amsterdam. O menininho sueco até mim e lhe dei os biscoitos. Na família, ninguém fala nada, não tem expressão, não agradecem, não dá pra saber se gostam ou não, muito estranho.


Um chá e fui dormir cansado, com as costas ainda doendo talvez de todos esses dias dormindo no chão.

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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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