Dia #13: Præstø


Não consigo mais dormir depois que amanhece. Eram 5h30 quando acordei. Dormi quatro horas essa noite. Entretanto, acordei bem e disposto.


Primeira tarefa do dia, remendar a câmara de ar pela terceira vez. Feito isso, preparei-me um cappuccino e, logo depois, Buggy apareceu com seus cachorros no jardim onde eu estava. Perguntou-me se estava tudo bem comigo e convidou-me para um café da manhã com ele e com a esposa.


Sabia que não ia conseguir sair cedo, tinha muitas coisas para conversar com ele. Relaxei nesse aspecto, aqui escurece por volta das 23h, ainda tinha muitas horas para pedalar.


Uma coisa que aprendi nessa viagem é que quando se viaja sozinho em um país diferente, precisa-se ter um anjo. Na fase europeia tive e tenho o apoio da Maggie e da Greet. Na fase Escandinávia, fui presenteado com um anjo: Buggy tornou-se meu anjo de repente. Ajuda-me em tudo. Escolheu um bom lugar para eu ficar em Copenhagen, trocou meus cem Euros por coroas dinamarquesas, refez a rota comigo até Nordkapp, deu dicas. Liga para amigos para que me hospedem sem custo. Como um anjo aparece na sua vida? Buggy apareceu do nada no meu caminho. Se ontem não tivesse apressado-me ou demorado mais dois minutos para chegar ao parque, não o teria encontrado. Como isso funciona, eu não sei. O cara simplesmente apareceu do nada para suprimir minhas dúvidas de uma longa jornada que tinha pouca informação a respeito; o oposto do que aconteceu na parte um de Extremos do Mundo, onde o César foi meu anjo ainda na fase de planejamento. Desculpe, não tenho explicação para isso e nem vou pensar muito para não pirar.


Assim que terminou nosso café, desceu com as coroas dinamarquesas; comecei a me preparar para partir. Partiram antes de mim, despedi dele e da esposa, tiramos mais algumas fotos juntos e se foram. Deixou-me à vontade no jardim de sua casa.


Eram quase uma hora da tarde quando peguei estrada sentido Copenhagen. A ideia era achar um camping pelo meio do caminho.

A etapa foi tranquila. O dia amanheceu bem frio e aos poucos foi aquecendo. Na estrada, há lugares de descanso com banheiros completos higienizados, com sabonete líquido e papel.


A estrada seguia sentido norte costeando o mar e passando por duas pontes, uma delas com três quilômetros de extensão.

Hoje, meu desenvolvimento foi bom, peguei vento a favor em muitos momentos e a pedalada rendia. Passei por diversos vilarejos de nomes esquisitos, cruzei vários ciclistas em sentido oposto ao meu. Por volta do quilômetro setenta avistei um camping. Eram umas 18h, estava bem, dava para continuar, mas resolvi parar.


Entrei no camping, fiz o check-in e fui para a área das barracas. Aqui só tem ciclista. Uns da Holanda, outros da Alemanha. Arrumei minhas coisas com calma e isso é tudo de bom. Preparei-me um lanche e café com leite, tomei um banho quente, estava frio. Queria dormir cedo e ficar longe da correria que me tomou conta nos últimos dias. Consegui, apesar de ter uma mosca dentro da minha barraca que não quer sair.


Amanhã, Copenhagen. Estar nessa cidade é um sonho a realizar. Há anos penso numa pedalada por esses lados, do agora consegui viabilizar.

Temos mais três dias de Dinamarca pela frente, continuamos subindo na latitude.

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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