Dia #12: Rødby - Dinamarca

Atualizado: 12 de Set de 2019


Seriam 85 km até Puttgarden, a última cidade da Alemanha, assim era o planejamento.


Acordei cedo, com a luz do sol já raiando na minha cara. Minhas pernas cansadas tomaram um doído banho de água fria pela manhã. Fiz meu café, desarmei a barraca já caindo aos pedaços e parti.


Lá estava eu, na estrada novamente. E não mudou muito. Pistas sem ciclovias, mas com alerta de ciclistas para os carros. O primeiro trecho da viagem rendeu muito bem e a paisagem não mudou muito do que era ontem.


Acompanhava pelo mapa a medida que me aproximava de Puttgarden. Puttgarden, fica numa ilha, fora do continente. Para chegar lá, atravessa-se uma ponte enorme.


Minha ansiedade aumentav a medida que via o mar de aproximando pelo mapa; o encontro com o mar sempre é especial. Quando o avistei, foi incrível. Apareceu do meu lado esquerdo, atrás dos enormes campos de trigo e algodão.


Em pleno sábado, o movimento da ciclovia era intenso. Para atravessar a ponte, uma pequena ciclovia onde passava um por vez. Fiquei admirado com a grandeza e beleza do lugar. Atravessei a ponte e dali eram apenas dez quilômetros até Puttgarden. Vi que tinha um enorme hotel perto do porto e assim que entrei na cidade, fui até ele. Recepcionista mal-humorada disse-me que não havia vagas. Foi o bastante para não querer ficar mais na cidade. A entrada do porto era logo ao lado. Fui pedalando até lá e descobri que por 23 Euros eu atravessaria com a bike até a Dinamarca. O problema é que não tinha a mínima ideia de onde poderia dormir.


Embaixo de um sol escaldante, paguei e subi no ferry com quatro andares para ônibus, trens e carros. A viagem demorou 45 minutos; cheguei no porto de Rødby, na Dinamarca, sem dinheiro dinamarquês, sem lugar para ficar. Até a cidade, seriam mais seis quilômetros, assim parti embaixo do calor. Lá pelo quilômetro quatro, senti a bike estranha. Reparei o pneu mais murcho; parei para olhar e realmente estava mais murcho, mas não havia murchado de vez. Procurei rapidamente um camping ao redor; achei um dois quilômetros adiante. Comecei a acelerar o ritmo para chegar o quanto antes no camping. Entrei num parque onde estava marcado o camping e não vi nada. Comecei a ficar desolado ao perceber que teria que novamente teria que tirar todo o equipamento, remendar o pneu e ainda dormir e comer, sabe Deus onde. Dentro do parque um grupo de umas dez pessoas caminhando. Um deles chegou até mim e perguntou se eu estava perdido. Falei que procurava por um camping por perto. Respondeu-me que o camping não existia mais, então, o grupo rodeou-me e começaram as perguntas. A principal, qual meu destino. Falei Nordkapp e o espanto foi geral, como nunca tinha visto até agora. Foi então que um senhor do grupo, já bem de idade, propôs-me: você pode montar a sua tenda no meu jardim; aceitei imediatamente. Conversa vai, conversa vem, um outro membro do grupo resolveu que eu deveria ficar na casa dele porque o senhor de antes, não sabia falar inglês muito bem; também aceitei, Jens Buggi, seu nome. Nesse momento uma mulher do grupo chamou-me para jantar na casa dela. No meio de tantos convites, aceitei todos. Fui à casa de Buggi, desarmei minhas coisas, tomei banho e fomos juntos à casa da senhora. Lá, um churrasco rolando. Mesa farta, bebida, sentaram-se pelo menos umas treze pessoas para a janta. Conversamos de tudo, política, música, estilo de vida dinamarquês. Eu era o centro da atenção e depois da meia noite, resolveram me liberar. Voltei à casa de Buggi, montei minha barraca no seu jardim, usei sua água, wifi.


Um dia falaram-me que a bicicleta abre portas. Hoje, foi a maior prova disso. Que os ares desse pequeno país, siga adiante comigo até Nordkapp.

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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