A Parábola do Vento


Para para pensar. Qual a diferença que o vento faz na sua vida cotidiana? Na minha nenhuma, aliás em São Paulo venta pouco e, quando venta um pouco mais forte, geralmente estou abrigado em algum canto. As mulheres se incomodam um pouco mais, afinal o vento desmancha seus cabelos. No meu caso nem isso, nem cabelo tenho.


Antes de viajar para a Patagônia, essa era minha relação com o vento, ou seja, bem superficial. Entretanto, após experienciar o vento patagônico comecei a enxergá-lo com outros olhos e me perguntei: afinal, o que é o vento? Por favor, não lembre daquela aula chata do seu professor de geografia a qual fala que o vento é o deslocamento de uma massa de ar de uma região de alta pressão para uma de baixa. Apesar de ter razão, não foi assim que defini o vento que conheci.


O vento em questão não é esse vento, cético, medido knots. Você já reparou que há lugares que há muito vento e outros que não há nada? Pois é, o vento tem vida, quer dizer o ar que é por ele empurrado vive. É como se ele tivesse alma, que quando excitada bailasse, às vezes em ciranda, como em furacões. Entendi que esse ar, que ia de um lugar para o outro, buscava algo, estava inquieto no seu lugar de origem. Dessa maneira, saía desesperadamente de onde se encontrava e buscava um lugar melhor e um destino mais interessante para estar. Afinal, há ares que saem correndo, assim como há ares que parecem bem confortáveis onde se encontram. Lugares onde não há vento são lugares onde o ar se encontra feliz onde está e lugares de vendavais são lugares os quais o ar busca um canto melhor para viver e estar. Quanto mais forte o vento, maior o desespero do ar em achar um lugar feliz, em paz. Dessa forma, o vento passa fazendo barulho arrancando folhas das árvores como uma forma desesperada de chegar ao seu destino final o mais rápido possível, encontrando sua tão desejada paz. Não há tempo para o vento. Ele pode ventar forte um mês e viver tão intensamente esse período que pode parecer que está lá há anos.


Essa parábola me é muito clara. Estar bem onde estamos, seguindo nossos princípios é a tradução do deslocamento do vento. Afinal, alguns de nós somos que nem ele, inquietos por felicidade. Corremos atrás dela, abrimos espaços, atravessamos dificuldades, mas em busca exatamente de que? Talvez da mesma coisa que o vento: um canto mais feliz e mais harmonioso. Um canto em que as pessoas te escutam e te entendem. Um lugar onde você é respeitado em sua maneira de ser e nos seus sentimentos.


Sim, em Extremos do Mundo parte sul eu me identifiquei com esse vento poético, lírico. Imaginava-me esse ar, veloz, fugaz, em busca de liberdade e paixão. Sou esse ar, disposto a qualquer movimento, a qualquer ação que me traga energia, paz e enorme prazer de fazer o que realmente está dentro da minha alma, assim como o vento.

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