A chegada a Macapá

Atualizado: Set 8


Essa história de sair de casa é louca. Quase perdi o voo, aeroporto lotado, preocupação com o destino da minha bagagem. A Lyssandra, minha linda companheira, acompanhou-me ao aeroporto em plena madrugada.

O fechar da porta do avião é simbólico: tripulação, portas em automático. Ali não tem mais volta e parto àquilo que me propus.

Foram quase sete horas de viagem, uma troca de avião para a poucos quilômetros do meu destino eu avistá-lo, exuberante, imponente. O Rio Amazonas, em marrom brilhante refletido pela luz do Sol, dava-me boas-vindas à capital do Amapá. Fui aos prantos, lembrando dos meses de planejamento que me fizeram chegar aqui.

Gabriel, um simpático amapaense de 20 anos, idade do meu filho, foi gentilmente me buscar de carro no aeroporto.

Naquele momento, Macapá fervia embaixo de 38 graus de temperatura e umidade altíssima. Sentia-me em uma sauna.

Levou-me para um hotel bem simples, onde nos despedimos e marcamos um pedal a noite. Saí pra almoçar e tão logo voltei, comecei calmamente a montagem da bike, apertando preciosamente os parafusos. Foi quando eu me dei conta que faltava um anel da minha dianteira que dá estabilidade à roda. Olhei para a caixa que transportei a bike e reparei em um furo do tamanho dessa peça no meio dela. Vasculhei todo o quarto mas não havia dúvidas, a peça se perdera no transporte. À princípio bateu-me um desespero, afinal como faria a sua reposição? Tentei me acalmar, mesmo sabendo do tamanho da encrenca. Montei a roda sem o anel e ela ficou bamba.

Comecei a procurar por telefones de serralheiros que talvez pudessem usinar um nova para mim; em pleno domingo, ninguém atendeu. Liguei ao Gabriel, mandei a foto da peça pra ele e perguntei se ele conhecia algum torneiro que pudesse usinar-me uma nova. Marcamos de nos encontrar a noite.

Às 19h Gabriel apareceu no hotel. Do seu bolso, sacou um anel parecido e assim me disse: esse anel é de uma pedivela Shimano, trouxe pra testar. Saquei a roda dianteira e coloquei a peça encaixou. Encaixei o outro lado no garfo, entrou apertado mas também encaixou. Apertei o eixo passante e foi incrível. A peça serviu. Olhei para o Gabriel, ele olhou pra mim, não acreditando no que acabara de acontecer.


Saímos pra dar uma volta pela cidade, fomos até o Marco Zero e depois lanchamos com a família dele. Todos muitos simpáticos! Ensinaram-me gírias regionais e falamos sobre os índios amapaenses.

Voltei ao hotel, tomei um banho, estava muito cansado. Deitei e não tive muito tempo pra refletir. Veio o sono, o corpo e a mente pediram o descanso. Dormi em paz!

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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