Dia #18: Camping Carretera Austral



Deixei Cochrane por volta das 10h. Antes, um belo de um café da manhã. Como sempre a mesma coisa, mas me alimenta bem. Ontem, fiz ovos mexidos antes de dormir, hoje, também ovos, pão com geleia e frios e café. Geralmente, levo sanduíches para comer durante o trajeto, um com frios, outro com geleia. Também sempre levo uma caraminhola cheia de suco, tipo Tang, que é açúcar com aromatizante, aliás viciei nisso. Lembro que na viagem da França, era viciado em Coca-Cola gelada. O sabor açucarado é extremamente prazeiroso. A ideia era pedalar pelo menos setenta quilômetros hoje e chegar a algum canto que pudesse acampar. Estou utilizando um aplicativo que conheci aqui, chama-se iOverlander, sensacional. Sem internet, consegue-se a indicação precisa, comentários e facilidades de campings em geral, inclusive os selvagens. Hoje o tempo ajudou. Amanheceu nublado e o sol brilhou umas três horas depois. A umidade do ar está muito baixa. A Carretera está uma poeira só. Carros passam em alta velocidade e me dão um banho de poeira constante. A jornada de hoje foi dura; foram 1030 m de elevação acumulada, muito desgastante. O rípio também variava muito, mas na sua maioria era de pedras soltas. A primeira montanha do dia foi desafiadora, mas compensou pelo cenário que vi de lá de cima, parecia que estava no meio do deserto. A descida foi no meio de cânions cortados por rios. A cada dia que passa, a Carretera fica mais inóspita; juro que pensava que fosse o oposto, ou seja, fosse mais habitada sentido sul. No final da descida, encontrei um casal de holandesas, Greet e Margaret. Conversamos bastante sobre tudo, distanciamos-nos, aproximamos-nos e no final perdemos-nos. Provavelmente, encontraremos-nos na travessia a Candelario Marcília, Argentina. Meus últimos quilômetro de hoje foram muito sofridos, mas achei um camping bem solitário. Era a casa do Luis, um chileno que me cobrou cinco mil pesos para tomar um banho quente, cozinhar e montar a barraca. Achei razoável e fiquei. Luís mora sozinho e tem 54 anos. Acabamos jantando juntos, antes de eu descer para a minha suite presidencial, já montada no meio das árvores. Estou sentindo-me bem, o corpo reage bem ao tranco da viagem. A respiração está ótima e acho que dessa vez acertei na alimentação. Hora de dormir, amanhã tem mais 51 km para a balsa de Puerto Yungay.


Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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