Dia #12: Villa Cerro Castillo



►Que preguiça levantar hoje, mas levantei 7h, fiz um café e voltei um pouquinho para a cama. Logo depois, já comecei a arrumar as minhas coisas para descer. A Sra Adriana levantou e já me aguardava no refeitório. Comecei a colocar as minhas coisas na bike, ela só me olhando. Hoje, estava repleto de comida para a viagem, sabia que os 98 km até Villa Cerro Castillo iriam ser duros. Eu me despedi da Sra Adriana e peguei estrada, muito movimentada, por sinal. No quilômetro dez, avistei uma banca empanadas, não resisti. Parei e comi uma, talvez a empanada de carne mais deliciosa que já comi, com ovo e azeitona. Segui viagem. A paisagem mudou, completamente diferente de ontem. Campos cerrados enormes entre subidas e descidas da Carretera. O vento ajudava-me, batia nas minhas costas e dava aquela força. Até aqui tudo bem, dia claro. A viagem continuava quando finalmente dei entrada ao Parque Nacional Cerro Castillo, sim, a Carretera passa dentro dela. Aqui, a coisa começou a mudar de figura. Primeiro uma longa subida, interminável. No meio dela, encontrei uma ciclista australiana, completamente estafada. Perguntei se queria ajuda, disse que não e que pararia no próximo camping. Continuei! O parque é lindo, possui vários miradores e passa por diversos rios e afluentes. Quando começaram as descidas, fiquei feliz, achei que fossem ser assim até o final. Que nada, as descidas vieram juntos com ventos, mas ventos de não se conseguir ficar em pé. Encostei num guard-rail, as rajadas eram muito fortes e empurravam a bike para cima de mim. Fui caminhando, tentando sair daquela situação e aos poucos fui achando um brecha. Voltei a pedalar, mas não desenvolvia porque o vento, dessa vez, era frontal. Uma subida avassaladora até alcançar o ponto mais alto do parque para continuar a descida. Um alívio para as pernas e um frio terrível para o corpo já aquecido. Para melhorar o golpe de ar frio, mudei a minha posição do corpo na descida, encostando o queixo no guidão. Ajudou, mas mesmo assim, o ar gelado das montanhas cobertas de neve entravam pela costura do casaco cutucando a alma. Parei num mirante na descida, encontrei um grupo de brasileiros de Florianópolis, estavam de carro. Aplaudiram a minha façanha, tiraram fotos comigo. Foram mais oito quilômetros de descida até a Cerro Castillo, depois de ter ascendido 1700 m. Cerro Castillo, 97 km depois de Coyhaique, uma vila bem simples. Tive um pouco de dificuldade para achar hospedagem, mas achei uma com quartos compartilhados. Na falta de um companheiro de quarto, acabei ficando com o quarto só para mim. Um banho quente maravilhoso, era o que necessitava naquele momento. No jantar, a gororoba de sempre que mata a minha fome. Para finalizar, uma cama quentinha com três cobertores foi a cereja do bolo, um prêmio, por um dia tão desgastante.


Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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