Dia #0 - Puerto Montt (chegada) / Dia #1 - Contao



►É uma loucura esse comecinho de viagem. Cheguei no Chile tenso, tive um problema com a imigração. Depois de fazer tantas viagens internacionais, eu esqueci de pedir o endereço da Marlys, amiga do meu grande amigo catalão, Toni. O oficial da imigração implicou com isso, não queria me deixar entrar no país. Por sorte, achei o nome completo dela no Facebook e com o nome, o oficial conseguiu localizar o endereço. Baita estresse, correria, achava que estava atrasado para a conexão, e nada, adiantei o relógio para frente em vez de adiantar para trás. A viagem de avião De Santiago para Port Montt durou 1,5 hora. Foi emocionante, num determinado momento o piloto diz “tripulação, preparar para a travessia da Cordilheira dos Andes”. Quando passa na Cordilheira, você vê uma montanha gigante passando bem pertinho, é lindo. Quinze minutos depois, já estamos em Santiago. Como fiz alfândega em Santiago, tive que despachar a minha bike de novo. Fico sempre preocupado da bike não chegar, mas dessa vez eu a vi subindo pela esteira para o avião.

A Marlys foi me buscar no aeroporto de Puerto Montt com sua amiga, Marcela. A noite, preparou um jantar para mim, curanto, um prato típico chileno, um ensopado de marisco e carne de porco. Ela me recebeu muito bem. Ontem, fomos juntos ao vulcão Osorno, andamos pelo bosque. Voltamos, Fomos a Angelmo comer ceviche. Ela tem uma energia muito boa. Sua casa é toda zen, tem uma academia de fitness e yoga. Dormi num quarto e que noite bem dormida! Passei a noite de Natal com os pais da Marlys, teve amigo secreto entre eles. Até que meu espanhol está bem, conversei bastante com eles.Acordei umas oito horas, fui tomar café com a Marlys, conversamos bastante, vimos que havia muita coisa em comum. Ela tem um companheiro na sua vida e ele é mineiro e a vê esporadicamente. Hoje, ela soltou pra mim que queria um clone meu. Admirava como eu tratava do meu corpo e do meu pensamento. Foi difícil despedir dela. De lembrança, deu-me um cristal e uma pedra que a vi pegando ontem no bosque. Energizou-as e me pediu para que eu as carregasse ao lado do meu corpo. Coloquei-as no bolso da minha calça. Ela me acompanhou a pé até a costaneira. Tiramos fotos juntos e quando eu parti, olhei para trás pela última vez e a vi apontando o celular pra mim.

Peguei a costaneira até avistar o quilômetro zero da Carreteira Austral. O começo de tudo. Fui em frente, bem tranquilo no começo, mas ainda muitos carros perto de Puerto Montt. Passei por diversas vilas, Piedra Azul, Quillaipe, teve uma hora que ventou muito, cheguei a balsa que me levaria de La Arena à Caleta Puelche. A partir daqui seriam mais dez quilômetros até Contao, meu primeiro destino. Vi muitos restaurantes e campings pelo caminho assim como varias fontes de água. Cheguei a Contao com aquela dor chata no joelho esquerdo e percebi que esqueci minha joelheira no Brasil. Entrei na vila, muito pequena, achei um hostel pelo GPS. Vinte mil pesos, fiquei. Quarto limpo, banheiro e pude subir com a bike. No livro de registros, só gringos e eu de brasileiro.Deu pra lavar a roupa e colocar o fogareiro pra funcionar com tudo o que comprei ontem. Tudo fechado hoje, Natal. Fui à praia, não era muito bonita mas valeu a caminhada. Passei no meio de um aeroporto, que estranho. A internet daqui do hotel é boa, deu para postar algumas foros e vídeos.Voltei e fiz minha gemida, miojo com atum e uma barrinha de sobremesa. Pronto para dormir. Amanhã parece que vai rolar um café da manhã, tomara que seja bom.


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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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