El Masnou - Barcelona - A chegada


►Estava devendo o post da chegada a marco final do meridiano de Paris, desculpe, estava e ainda estou estafado com a maratona, um cansaço extremo, pernas doendo e muito, mas muito sono. Enfim, voltando.

Les Planes Hosteles foi a vila mais estranha que parei. Depois de uma noite fria num camping vazio, sabia que o dia seguinte, terça, dia 25, chegaria à El Masnou, onde pouca gente sabe, mas existe uma pedra fundamental feita pelos catalães que marca o fim do meridiano de Paris. Quem me contou isso? Meu amigo catalão, o Eduard, que se propôs a me receber nesse dia.

A viagem até El Masnou foi longa, 104 km, com 703 m de desnível. Saí de Les Planes logo cedo, apenas com um achocolatado que havia comprado no dia anterior. Não me importei, comecei a pedalar por uma rota chamada "Ruta del Carrilet", um percurso de terra de 57 km que liga as vilas de Olot e Girona.


Peguei um trecho dela que saía de Les Planes Hosteles e foi uma ótima boa vinda para meu último dia de viagem. Já desgastado pelos três dias anteriores, tudo o que eu queria era descer ao nível do mar e a rota me proporcionou parte disso. Fui descendendo 17 km até a vila até Anglès, onde parei num mercado para finalmente, não só comprar o meu café da manhã, mas o almoço. Estava determinado chegar à El Masnou. O calor não deu trégua, sempre carregava muita água e após Anglès comecei a pegar estrada. Uma sequência de túneis, um deles com 1.800 m de extensão.


Não quis me arriscar pela única pista dentro do túnel, decidi empurrar a bicicleta na calçada do túnel por sua longa distância. Voltei para as estrada, mais dois túneis na sequência, desprezei-os, eram pequenos, acelerava quando não vinha carro atrás de mim e os atravessava numa descida a 50 km/h.

Ainda tinha a esperança de encontrar só descida na minha frente, afinal estava "despencando de 1.500 m desde o dia anterior e teria que atingir o mar, mas após passar por Santa Colona de Farnes e Riudarenes, decidi pegar a C-35, talvez uma escolha não muito certa, mas entrei numa estrada movimentada que me levaria à Barcelona.


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Cheia de carros e caminhões, revi minha navegação e decidi entrar em Moixerigues, onde uma estrada à esquerda me levaria à costa. Foram 18 km de C-35, virei a esquerda na esperança de uma longa descida. Que nada, atravessaria a última serra da viagem para alcançar a vila de Arenys de Munt e Arenys de Mar. As pernas não aguentavam mais para tingir os 304 m de altitude para depois despencar até o mar, tinha crises de choro, passavam mil coisas pela minha cabeça, os lugares, minha mãe, todas as pessoas que encontrei, muita coisa mesmo. Parei num posto de gasolina, viciei tomar Coca-Cola durante a pedalada e aqui parei para tomar uma e fazer minha pausa para almoço. Segui em frente, subi mais um pouco e comecei a despencar, foi montanha abaixo até o encontro com o mar, emocionante.


Seriam mais 20 km até a pedra fundamental e o encontro com o Eduard que resolveu vir na direção contrária para me encontrar. Parece que não queria terminar o percurso, comecei andar lento, parei no Mc Donalds para me premiar com um sundae de chocolate. A sensação é muito estranha, um sentimento dúbio que você deseja terminar como conquista, mas ao mesmo tempo deseja continuar a contar histórias e interagir com pessoas. Fui indo, quando numa reta avistei Eduard. Ele deu meia volta e foi comigo me escoltando até a pedra fundamental. Nunca pensei que poderia ser escoltado e ser tão bem recebido na minha chegada. Trocamos a pista dos carros por uma ciclovia na praia, quando finalmente ela apareceu para mim, era o fim do meridiano, a pedra fundamental. Parei, tirei a bandeira do Brasil não era só uma vitória minha, mas uma vitória sua que veio comigo até aqui, me acompanhando, em aconselhando. Estar aqui depois de nove meses pensando e planejando uma viagem dessas é algo indescritível.


Era o fim de mais uma jornada que virará história, uma história de coração, uma história de um sonho que você participou comigo e veio até aqui comigo com Alice no País das Maravilhas, com Legião Urbana e tudo que realmente tocou meu coração nos momentos mais difíceis, de dor e de grande sentimento. Somos gratos a ela e devemos reverenciá-la todo dia e agradecendo a oportunidade de estar aqui vivendo o hoje. Viva a vida, voltamos e pensamos em outros projetos para influenciar pessoas para o bem, para o amor e para a alegria de viver. Como sempre pensei, nunca estive sozinho nessa viagem, estive sempre com você e não tenho muito mais a fazer do que lhe dizer o meu muito obrigado pela sua companhia e até a próxima jornada.


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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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