Chegando à Bourges embaixo de 42 graus


►Saí de Sully um pouco tarde, mesmo sabendo que o calor ia rachar. Marquei com o Franck em Bourges às 17h30 então imaginei que faria o percurso de 85 km em 6 horas.

O começo da estrada foi um pouco conturbada, cheia de caminhões nos primeiros dez quilômetros. A bike estava redondinha mas chegando na primeira cidade, já senti a bike com um barulho anormal, sim era o pneu traseiro de novo se esvaziando. Com a paciência altamente controlada depois dos ocorridos nos dias anteriores, parei ao lado de uma igreja na vila de Cerdon, aproveitei para tomar meu café da manhã comprado no mercado para depois começar os trabalhos. Dessa vez foi furo, pneu liso tem dessas coisas. Remedei a câmara muito rápido, arrumei minhas coisas e parti novamente. Estou usando 3,5 bar de pressão e colocar essa pressão no braço não é mole. Os postos de gasolina são raros nessas vilas e quando aparecem, nem sempre tem uma bomba de ar.


Continuei minha caminhada rumo sul passando por diversas vilas quase todas vazias e pegando estradas que pareciam terem sido feitas para mim. Realmente, a única coisa que pegou hoje foi o calor, chegou a marcar 42 graus no meu GPS. Só me lembro de um calor desses quando fiz a EStrada Real em 2012 onde cheguei a pegar 46 graus no sol. A altimetria foi bem tranquila, tive 350 m de desnível positivo.

Assim foi meu dia, praticamente pedalando numa boa sintonia o tempo todo, na maioria das vezes com o vento sul, a meu favor. Encontrei um ciclista belga na estrada que ia para Sully-sur-Loire. Hugo, um senhor de 67 anos que já tinha pedalado 17.000 km pela Europa. Bom encontro, animador.


Estou fisicamente muito bem, acho que emagreci por causa desse calor, mas tudo funciona muito bem até o momento, nenhuma dor e sinto que estou segurando bem a bike nas subidas mesmo com todo esse peso que carrego. Até o momento, ainda não parei para empurrar.

Chegando a Bourges, parei numa boulangerie, para comer algo, cheguei uma hora antes do combinado. Quando deu 17h, passou Franck, me viu e já sentamos para conversar. Engraçado que me cumprimentou, começou a falar, falar, falar como se tivesse falando com alguém muito conhecido. Comentou dos compromissos amanhã no escritório de turismo e da entrevista com o jornal local. Fomos a casa dele, tomei uma ducha e o acompanhei até a escola para buscar a filha. Que graça uma menina de uns seis anos muito graciosa, educadíssima falando francês. Voltamos a casa dele, esperamos a esposa dele chegar para jantarmos. Sentamos juntos numa mesa posta na frente da casa deles, eu a entendia mais fácil, mas o francês dele é complicado. Tenho que admitir que essa sensação de segurança é maravilhosa.

Amanhã tem muito mais de Bourges, boa noite!


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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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