EP. #21 - Martigny - Sembrancher - Osières - Liddes - Bourg-Saint-Pierre - Col du Grand-Saint-Bernar


►Tenha certeza, foi muito difícil chegar aqui. Foi uma jornada de de 50 km e 8,5 hs de estrada, 2553 m de elevação. Enfim, estou em Grand San Bernard a 2.473 m de altitude.

Iria começar cedo, mas uma incidente com a bike na hora de partir quebrou a minha lente da câmera e estourou mais um vez o parafuso do bagageiro. O agravante foi que além de ter arrebentado o parafuso, parte dele ficou dentro do buraco. Precisei de 2 hs para solucionar esses problemas e só consegui sair quase 11 hs da manhã já preocupado com o horário.

Não sei porque tinha a ideia de que hoje eu só iria subir, mas não foi isso que aconteceu, infelizmente, porque depois de subir a primeira montanha em Martigny, desci em direção a Sembrancher e perdi pelo menos 700 m de altimetria. Martigny ficou para trás, na lembrança e na imagem da cidade vista pro cima.


E a primeira montanha judiou demais, descansava as pernas quando estava a 8% para se ter uma ideia, mas a média era 12%, 15%. O lugar era muito lindo, a estrada cortava a mata no meio de uma floresta de eucaliptos e casas de veraneio.


Quando cheguei ao topo com a certeza que iria subir mais, comecei a perder altitude e fiquei temeroso porque sabia que iria ter que subir pelo menos 1.300 m a mais. Via Sembrancher por cima e imaginava a encrenca que vinha pela frente.


Entretanto, a parte de Sembrancher e Osiéres foi bem tranquila, a estrada era larga com declividade em média de 4% a 5%. O problema foi quando cheguei a Liddes, começou a cair um pé d'água, parei num quiosque para comprar mais água (já tinha tomado 1 Gatorade e 2 litros d'água até então). Depois de passar pelos túneis em direção a Grand San Bernard, a coisa começou a complicar. Passei por uma barragem muito bonita que fornece água para todas as cidades do vale, então a estrada começou a ficar cheio de curvas mascom declividade suportável de 8% à 9%, até então eu estava bem e continuava na cadência.



A 5 km do final (5% km parece nada) a coisa inclinou de vez com declividade média de 15%. A essa altura, já estafado e com medo de alguma contusão, comecei a empurrar a bike com 4 km para terminar. Não chegava nunca, a temperatura baixou de vez chegando a 5 graus (em Martigny estava 30 graus).Continuei empurrando até que numa curva para a direita consegui finalmente avistar o Hospice. Foram só prantos.


Completamente desagastado e com uma tremenda dor de cabeça, cheguei à porta do Hospice, parei a bike e deitei no chão gelado. Um alemão veio me perguntar se estava passando bem e se precisava de algo. Ficou horrorizado quando disse a ele que vinha de Martigny. Fiquei ali no chão pelo menos uns 10 minutos, até entrar e conseguir um alojamento. Com certeza o maior desafio da viagem, vou ficar duas noites descansando por aqui antes de entrar na Itália. Grand San Bernard é muito lindo e amanhã vou contar um pouco da história desse lugar que tanto quis conhecer.

#suíça #viafrancigena

Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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