EP. #18 - Genève (dia de pausa)


►Essas pausas estratégicas têm me ajudado na recuperação e a de hoje foi excelente. Dormi muito bem, descansei, mas logo cedo, para não sofrer do mesmo mal que me afligiu em Besançon (apelidei de "ânsia da mesma coisa"), mudei a estratégia. Acordei, tomei café e fui até a Gare de Lausanne e comprei um bilhete para Genève por CHF 46,00, ida e volta.


O trem precisamente no horário, não sai só no minuto certo, mas no segundo certo também, isso é incrível ainda mais para um apaixonado por logística. A viagem dura 45 minutos e vai contornando o lado suíço do Lago Leman até chegar em a Gare Genève Cornavin. Uma coisa que tenho reparado aqui é que todos os bilhetes de ônibus e trem que eu peguei nunca são conferidos, ou seja, não fui abordado por um único "cobrador". Apesar do aviso afixado num modesto canto do trem (Autocontrôle - veuillez s.v.p. acheter et/ou composter votre titre de transport avant de monter dans le train! San titre de transport valable votre identité est relevée, vous payez un forfait pour le prix du voyage ainsi qu'un supplément; le supplément augmente en cas de récidive), soar sem dúvida como uma ameaça muito educada, a questão do pagamento pelo serviço que você utilizou é simplesmente moral. Apesar de estar sendo vigiado o tempo todo, você o faz não por obrigação mas como dever de cidadão que olha para o todo! Comparativamente isso é incrível, não? Adoro comparações!

Bem, minha primeira vez na Suíça e a impressão é de um país espantoso, moderno, funcional, com custo de vida alto para os nossos padrões, onde um bilhete de ida de ônibus comum custa CHF 4,60 ou seja, R$ 15,00. Um garrafinha d'água de 500 ml, o equivalente a R$ 16,50 e por aí vai.

Descendo na Gare Genève Cornavin ainda meio perdido, achei um bureau touristique e para lá me dirigi. Conversei bastante tempo com o atendente que me deu um mapa e algumas opções de passeios. Passeios de barco pela orla do Lago Leman, o temeroso ônibus turístico de dois andares ou visitas teleguiadas a museus. Nada disso me atraiu, então resolvi ir por conta mesmo. Montei um roteiro na cabeça para conhecer o Centre Ville e a Catedral, tudo a pé (não posso pensar em pedalar). Primeiro fui à Cathédrale Saint Pierre de Genéve, do ano de 1.160, bonita, possui pilares romanos na sua entrada.


Anexo a ela a Chapelle des Macchabées, do lado direito, com os vitrais mais fascinantes que já vi.



►Andei por toda área passando pelo famoso l'horloge fleurie (lembrei da minha irmã Eliane que está sempre por aqui me dando um força, te amo mana!)...


...e pela região do Jardin Anglais e Place du Port.


Não queria andar muito, amanhã tenho 70 km para completar até Martigny, então parei num quiosque para comer algo, abri o mapa de Genève e vi uma atração que me pareceu que tinha mais a ver. Nada de museus de relógios, mas sim um pouco de aventura. Peguei um ônibus comum com destino à fronteira com a França para um bairro suíço chamado Veyrier, por sinal uma graça (abaixo).


Caminhei desse bairro por cerca de 10 minutos até atravessar a fronteira com a França na região de Le Pas de l'Échelle, agora no Departamento de Haute-Savoie (abaixo).


Enfim, voltei à França, quem diria que demoraria um dia para voltar ao país que tanto curti? Nessa região, ao pés do Mont Salève havia um teleférico que por CHF 13,00 (agora que eu percebi que eu paguei em CHF) me levaria até o topo da montanha com 1.379 m de altitude.



Lá de cima é possível se avistar toda Genève e uma grande parte do Lago Leman. Há uma rampa de paraglider e há vôos solos, assim como vôos duplos. Fiquei bastante tempo lá curtindo a vista.



Na verdade é um parque, consegue-se acesso de carro também pelo lado francês e há algumas trilhas por lá. Trilhas, pra que? Estava "impedido" de pedalar, mas não de caminhar e ainda achei que fosse ser bom favorecendo a circulação em outros músculos. Ah, espírito de aventura da Ilha Grande, vamos lá pegar um trilha de 15 minutos entre árvores e mata para admirar ninguém menos do que o majestoso Mont-Blanc com seus respeitosos 4.810 m de altitude (abaixo um pouco coberto de nuvens).


Voltando ao Centre Ville, já fui direto à Gare Genève Cornavin com o visual de um incrível bicicletário. Outros pontos como um passeio ao Parc des Bastions da Université de Genève ficaram para trás, mas a ideia era conhecer sem extrapolar, não? Acho que consegui e hoje achei um meio termo entre a "ânsia da mesma coisa" e a estafa, estou feliz e pronto para amanhã!

#frança #viafrancigena #suíça

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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