EP. #10 - Reims (dia de pausa)


►Hoje estou com o corpo cansado, mas com a cabeça a mil. Penso e reflito um monte de coisas ao mesmo tempo, mas o corpo pede horizontal, cama! Já são 11 hs e ainda não consegui descer para dar um trato na bike. Desci sim, para tomar café da manhã, aliás muito bom e bem servido. Muito bacana o lugar que estou, é uma espécie de alojamento, é bem grande e organizado. O único problema é que não há toalete no quarto, então, apertou a noite, é levantar da cama, lembrar de pegar a chave do quarto senão a porta tranca por dentro e fazer o que tem que fazer.

Tive uma excelente noite de descanso, apesar da gritaria de uns espanhóis no quarto ao lado. Dormi bem, sonhei com meu pai, sonhei que ele estava num canto e queria falar comigo, eu o vi, depois desapareceu entre as paredes, é a única coisa que lembro. Sei que hoje é dia dos pais no Brasil, sou pai e a simbologia desse dia não me toca muito porque penso que sou pai no dia a dia e é isso que me vale. Talvez, hoje seja um dia importante comercialmente, ou para os pais não presentes, modéstia a parte não é o meu caso.

Aproveitei a manhã para dar uma olhada geral em todos os mapas e dar mais uma pesquisada nos locais por onde passarei. Até agora pedalei 400 km, estou quase na metade do meu trajeto no território francês e talvez em mais 7 etapas alcançarei a Suíça.

Tomei coragem, tomei um banho e fui pra Centre Ville e acabei descobrindo algumas atrações interessantes. Ao lado da estação de trem, há um museu chamado Museu da Sala da Rendição, o qual entrei para conhecer. Reims teve um papel importantíssimo na conclusão da Segunda Guerra Mundial. Foi aqui dentro de uma sala que os generais alemães assinaram o primeiro tratado que garantia a rendição das forças armadas da Alemanha aos aliados, isso em 7 de maio de 1945. O museu é pequeno, mas muito interessante com um documentário de 15 minutos mostrando as cenas da rendição, além de outros documentos e uniformes dos soldados da época. Há também uma parde de uma cauda de um avião francês abatido em um dos confrontos.



►Bem pertinho do museu, há também o Monument aux Morts, arquiteto Henri Royer. A Primeira Guerra Mundial devastou Reims, muito mais do que a Segunda. Esse monumento homenageia todos os combatentes mortos da Primeira Guerra, atrás de tudo isso, sem dúvida um cemitério. No mesmo parque outro monumento, Monument Aux Martyrs de la Résistence et de la Deportation, este em homenagem aos mártires da resistência da Segunda Guerra.



►Em seguida, dei mais uma passada pelo Centre Ville, fotografei o Hôtel de Ville (Prefeitura) e voltei para o hotel. Acho que andei bastante, não estou acostumado a isso.


►Hoje é domingo em Reims e aqui tudo é fechado. Há alguns restaurantes abertos para os turistas, mas não há supermercado ou farmácia. Difícil para eu que vivo em São Paulo entender que aos domingos ninguém trabalha em qualquer lugar por aqui, ou seja, fiquei sem janta e apelei para o Ensure, que agora só tenho mais um saco que usarei em caso de emergência.

Amanhã vou levantar cedo, minha ideia é continuar descendo sul, hoje tracei uma rota no GPS diferentemente do que estava fazendo. Estava deixando ele traçar a rota por mim através dos pontos de latitude e longitude e dessa vez quero mudar a maneira de seguir viagem, vamos ver se dá certo. Estou a mais ou menos 80 km de Vitry-le-François e é lá onde quero chegar amanhã.

#frança #viafrancigena

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Nestor Freire, ciclista e empreendedor

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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