EP. #2 Canterbury


►Ainda me adaptando ao novo horário, acordei por volta das 9 hs com meus colegas de quarto fazendo um tremendo de um barulho. Fui até a cozinha, preparei meu café e voltei para o quarto. Tinha que sair dos quarto até 11 hs, porque das 11 hs às 14 hs, o hostel fica fechado entre o check-in e check-out, mas mesmo assim me deu sono e descansei por mais uma hora. Minhas coisas estão uma zona, ainda não consegui arrumar direito os alforges, que por sinal estão lotados, 82 litros de coisas para pelo menos 50 dias.

Dei uma saída na parte da manhã e voltei à rua principal de Canterbury. Hoje é sábado, havia muitos "buskers" (músicos de rua) e muita gente mesmo, por todo lado.


►Fui dar uma volta por um lindo parque. Por aqui fiquei sabendo da história do porquê que "todos os caminhos levam a Roma" e também que Canterbury fez parte dessa rota, por onde os romanos passaram por volta de 200 DC. Sentei um pouco embaixo de uma árvore e comecei a refletir e ver o movimento. Sinceramente, esse tumulto não me motiva, fiquei até um pouco perdido, não sabia para que lado ia e depois de comer um lanche no "Pret A Manger", parei em frente a um ônibus turístico, olhei para o outro lado da rua, vi um cinema e me perguntei, será que eu quero essas coisas? Entretanto, à minha frente, simplesmente diante dos meus olhos, vi uma loja de bike enorme. Pensei, volto para o hostel, pego a bike e venho até aqui regular o freio traseiros que ficou com a pastilha pegando no rotor depois da viagem - melhor coisa que eu fiz. No caminho de volta ao hotel, cerca de 2 km, o céu ficou preto e caiu uma tempestade. Lembrei que minha bike estava do lado de fora, no jardim e corri até o hostel; cheguei ensopado.


►Na chuva, cheguei ensopado


►Depois da chuva

►Dei um tempo, esperei a chuva passar um pouco, peguei minha bike e voltei ao centro, à loja de bike. Chegando lá, a revisão de freios me custaria £ 9, muito caro mas por segurança acabei fazendo. Agora feliz da vida fui pedalar um pouco, como é bom pedalar e conhecer a cidade em duas rodas. A primeira impressão de pedalar por aqui é esquisita, mão do lado esquerdo, nos primeiros minutos me confundi, depois acostumei, mas a confusão é quando se chega à rotatória, você não sabe para que lado vai. Percorri os Walls of Canterbury que foram construídos pelos romanos e puder pedalar bastante aproveitando o fim do dia de sol.

Resolvi passar no mercado, comprei minha comida para amanhã, vou levantar bem cedo, terei um encontro com o reverendo Claire na Catedral de Canterbury, logo após a missa das 8 hs. Depois da benção, estrada, rumo a Dover, Canal da Mancha, Calais e Guines, talvez meu destino final de amanhã.

Por um momento achei que fosse ficar sozinho no quarto hoje, mas acabei ganhando mais três companheiras de quarto, duas professoras francesas e uma americana bem atrapalhada. Não tive coragem de arriscar a falar francês com elas, ainda não, preferi ficar no inglês, vou deixar o francês pra França. Mostrei a elas algumas cidades que planejei passar e elas não conheciam quase nenhuma, falaram que são cidades pequenas, uma ou outra como Laon e Reims possuem lindas catedrais e são grandes centros.

Bem, vou tomar um banho e começar a organizar as minhas coisas. Não se para, sempre tem coisa para fazer, isso é bom.

#viafrancigena #inglaterra

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Nestor Freire, engenheiro e cicloviajante

Engenheiro mecânico formado pela FAAP, ciclista e palestrante, o paulistano Nestor Freire nasce em janeiro de 1967. Desde a infância, a bicicleta sempre esteve presente em sua vida. Continua...

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