1 SEMANA DE ISLÂNDIA


Hoje eu me dei conta que faz uma semana que estou aqui.

Adoro o gorrinho de lã que comprei em Reykjavik. Não tiro ele da cabeça. Ele aquece e ao mesmo tempo não deixa a coco suar.

Começou a chover, estou na barraca ouvindo os pingos de chuva que não param. Nunca vi clima como o daqui. Faz sol, chuva, frio, venta e tudo muda numa questão de horas.

Sabe porque de eu gosto de escrever no meu blog? Porque ninguém lê! Haha…, mas tenho algumas teorias do porquê você está lendo, mas vou falar só uma: você gosta de ir além do superficial!

Hoje vi uma mulher no Instagram que deve ter por volta dos 45 anos fazendo dancinha com mudas de roupa. As pessoas estão ficando doentes, mas acredita que eu também gosto de assistir a isso? Adoro ver o quanto as pessoas são ridículas e não medem esforços para quererem aparecer. É bom ter parâmetros na vida e principalmente saber o que não quero para mim.

Tenho uma conta no Instagram, 22 k seguidores, grande merda. Dizem que o algoritmo quer que façamos “reels”; hoje eu tentei fazer um, mas não sei o que aconteceu, acho que a banda de internet é baixa onde estou, então não consigo subir vídeos. Ontem também perdi todas as hashtags que havia listado. Eu quero que o Instagram e o Zuckerberg se fodam.

Essa viagem está sendo a mais diferente de todas. Sem dúvida a Islândia é um lugar mágico, com natureza inigualável, mas há mais por aqui e estou descobrindo. Ainda não estou 100% adaptado (tenho até medo de mim quando tiver).

Estou há duas noites acampado no Thingvellir National Park. Sofri para chegar até aqui, frio, vento na cara e, quando cheguei, ainda montei a barraca debaixo de uma tempestade, tomando o maior cuidado para não molhar a roupa seca que ainda me restava.

Gostei do lugar, trouxe-me paz. Parece que ainda estava vivendo uma ansiedade de começo de expedição com objetivos de quilometragens, lugares para compartilhar com os outros. Que inútil!

Há 2 dias nesse camping, virei uma espécie de “doorman”; as pessoas se aproximavam de mim para saberem informações. Eu sei sobre tudo, onde ficam os banheiros, os toaletes, a lavanderia, preços, horários de checkout. Haha…. adoro falar inglês e vi que estou bem como nunca nos diálogos. Adoro ser gentil com as pessoas, às vezes acho que exagero. Havia um casal de alemães sentado em uma mesa externa desse camping e eu os perguntei se não se importavam que eu sentasse com eles. É óbvio que não porque a mesa é para ser compartilhada, mas ainda assim eu fiz questão de perguntar.

Acredite que estou 2 dias adiantado na minha programação. Isso nunca havia acontecido. As outras expedições se traduziam em objetivos e conquistas; essa está sendo pura vivência. Não havia programado isso, mas é o que está rolando e que eu estou deixando rolar. Por que tanta fascinação por objetivos e conquistas? Por que viciamos em mostrar para os outros que somos capazes?

Nunca pedalei tão pouco como tenho pedalado nesses dias e sabe que é algo que não me incomoda. Ainda assim é muito difícil pedalar por aqui.

Sabe o que vai acontecer se essa chuva continuar amanhã? Vou ficar por aqui, tenho comida para dois dias mais. Hoje andei muito, fui visitar a junção das placas tectônicas, eu, a câmera e um guarda-chuvas. Não choveu naquele momento, mas agora a chuva veio, e forte. Os islandeses dizem que se você não está contente com o tempo, aguarde mais uma hora.

Estou com sono! E essa luz que nunca cessa? Meu Deus, que loucura isso. Durmo com um tapa-olhos pregado na cara, ainda assim é difícil. Meu saco de dormir é quentinho e sei onde estão todas as minhas coisas. Adoro tomar chá antes de dormir, virou mania.


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